O Prime Video tem uma estratégia de catálogo que a gente poderia chamar de “ataque massivo”: eles jogam dezenas de títulos na plataforma de uma vez só, em um único dia. O segredo que ninguém te conta é que boa parte disso é descartável. No meio de tanta tranqueira, fica difícil achar o que realmente presta, e é aí que a gente entra na jogada. Todo mês, a gente faz o trabalho sujo de garimpar o que acabou de chegar (ou está para pousar) na seção gratuita para assinantes. Desta vez, a curadoria está pesada, indo de obras essenciais de diretores como Spike Lee e Scorsese até algumas pérolas que talvez tenham passado batido pelo seu radar.
O Peso dos Clássicos que não Envelhecem
Mesmo depois de 35 anos, a obra-prima de Spike Lee, “Faça a Coisa Certa”, continua tão urgente quanto no dia da estreia. Se na época o filme dividiu a crítica, hoje ele se consolidou como um dos retratos mais viscerais das relações raciais nos Estados Unidos. O crítico Roger Ebert já dizia em 1989 que o medo de que o filme incitasse violência dizia muito mais sobre quem escrevia os artigos do que sobre a obra em si. É cinema puro, necessário e já está disponível para streaming.
Na mesma prateleira de gigantes, temos Martin Scorsese com “Os Bons Companheiros”. Esse filme mudou completamente a linguagem de como se conta uma história de máfia. Com o passar das décadas, ele só ganha corpo, parecendo cada vez mais um clássico imbatível. É um trabalho frenético: tem mais vida em cinco minutos de qualquer cena do que em muitos filmes inteiros por aí. O curioso é notar como muita coisa que veio depois tentou copiar a fórmula sem sucesso, o que só prova a força do original.
Tensão, Ação e o Jogo de Gato e Rato
Se você é da vibe dos anos 90, “Fogo Contra Fogo” (1995) é parada obrigatória. Ver Robert De Niro e Al Pacino dividindo a tela é um evento. O filme é um jogo de gato e rato impecável entre um criminoso profissional e um policial viciado no trabalho. Recentemente, o lançamento do livro “Heat 2” e os papos sobre uma nova produção trouxeram muita gente de volta para esse longa do Michael Mann, que continua segurando a onda muito bem quase trinta anos depois. É, sem medo de errar, uma obra-prima.
No campo dos thrillers mais diretos, Steven Soderbergh entrega “O Estranho” (1999). É um filme curto, grosso e com um ritmo perfeito. Terence Stamp está absurdo no papel de um britânico que vai para a Califórnia atrás de pistas sobre a filha desaparecida. Soderbergh raramente erra a mão, e este é, com certeza, um dos seus filmes mais subestimados — um grito de raiva cinematográfico que merece ser visto.
Entre Risadas e Nostalgia
Para dar uma relaxada, “Chumbo Grosso” (2007) é a pedida. O filme é o ponto central da Trilogia Cornetto do Edgar Wright (que inclui “Todo Mundo Quase Morto” e “Heróis de Ressaca”) e, honestamente, é o melhor do grupo. Simon Pegg e Nick Frost interpretam policiais comuns enredados em um caso bizarro de assassinatos em uma cidadezinha inglesa. É uma mistura genial de paródia com um filme de ação legítimo.
Já para quem busca algo mais leve e nostálgico, “Os Batutinhas” (1994) está no catálogo. A diretora Penelope Spheeris pegou a essência dos curtas clássicos de antigamente e entregou uma comédia com muito coração. É o tipo de filme perfeito para apresentar personagens icônicos para a molecada de hoje.
Estética Apurada e o Futuro da Fantasia
No ano passado, “The Phoenician Scheme”, do Wes Anderson, acabou não recebendo a atenção que merecia após a estreia em Cannes. É Wes Anderson em sua melhor forma: irônico, visualmente impecável e com uma performance do Michael Cera que pode ser a melhor da carreira dele. O filme disseca negócios e fé com aquele humor seco característico do diretor. Outro que aposta no visual é “Era Uma Vez em Nova York” (2014), de James Gray. Com Joaquin Phoenix e Marion Cotillard, o longa mergulha na Ellis Island de 1921 e cria uma atmosfera que prende o espectador do início ao fim.
Mas nem só de filmes vive o Prime Video. A Amazon MGM Studios já está mexendo os pauzinhos para tirar do papel a série baseada em “Quarta Asa” (Fourth Wing), os best-sellers de fantasia da Rebecca Yarros. A produção está em mãos pesadas: Meredith Averill (de “A Maldição da Residência Hill”) será a showrunner, e Lisa Joy (de “Fallout”) assume a direção do piloto.
A história foca em Violet Sorrengail, uma jovem de 20 anos forçada pela mãe a entrar no mundo brutal do Basgiath War College para se tornar parte da elite de Navarre: os cavaleiros de dragões. É uma aposta alta em fantasia épica que deve seguir os passos de sucessos como “Os Anéis de Poder”. Se você curte o gênero, já pode ir se preparando, pois a estrutura de produção envolve nomes de peso como Michael B. Jordan e a própria Yarros na produção executiva. Enquanto a série não chega, o catálogo atual já garante entretenimento de qualidade para quem souber onde clicar.