A moda atual prova, a cada dia, que as grandes tendências não vivem confinadas nas passarelas de luxo. Elas ganham vida nos figurinos marcantes das novelas brasileiras e ganham as ruas nos passeios casuais das estrelas de Hollywood. Seja através de peças artesanais que valorizam o trabalho manual ou de paletas de cores ousadas que flertam com grandes marcas, o que vemos na tela e no asfalto é o reflexo direto das maiores apostas do mundo fashion.
O charme artesanal e a força do maximalismo na TV
O crochê definitivamente voltou com tudo. Quem acompanha a novela “Três Graças” provavelmente já reparou nos acessórios cheios de personalidade de Xênica, personagem interpretada por Carla Marins. A própria atriz fez questão de destacar recentemente em seu Instagram que a personagem tem um estilo muito próprio e adora estar bem produzida, pedindo para os seguidores focarem justamente nos detalhes das peças.
O grande destaque do figurino da atriz é uma bolsa preta modelo “Lady”, criação da designer gaúcha Betina Werner para a marca Forma Alta Bijuteria. Feita inteiramente com técnica manual, a peça mede 25 por 20 centímetros, podendo apresentar uma pequena variação natural de tamanho, e ganha um toque urbano sofisticado com sua alça e corrente de metal. O acessório é comercializado por R$ 478,40 e também pode ser encontrado nas cores verde-esmeralda, marrom e amêndoa.
A grife também assina outro detalhe poderoso do visual de Xênica. Trata-se de um elegante bracelete de metal dourado, cravejado com strass e equipado com fechamento magnético, que custa R$ 238 e está disponível nos tamanhos de 18 e 20 centímetros. Aliás, os acessórios maximalistas vivem um verdadeiro resgate da estética exagerada dos anos 80. Braceletes em acrílico, pedrarias, além de tons prateados e dourados estão dominando as composições das famosas. A regra de ouro no momento é apenas respeitar a própria identidade visual e ter coragem para testar novas combinações.
Essa presença do trabalho artesanal na televisão já havia dado as caras no ano passado. A personagem Eunice, vivida por Edvana Carvalho na novela “Vale Tudo”, também desfilou com uma bolsa de crochê da mesma Forma Alta Bijuteria. O modelo escolhido na época foi uma tote bem espaçosa, medindo 35 por 30 centímetros, com uma alça de resina que imitava bambu. Avaliada em R$ 638,40, a peça estava disponível nas cores amêndoa e caramelo.
Das coleções de 2026 para os passeios no parque
Enquanto a televisão brasileira mostra como incorporar a textura e os acessórios de peso no dia a dia, o asfalto de Nova York nos dá uma verdadeira aula sobre cartelas de cores. Com a chegada da primavera no hemisfério norte, Jennifer Lawrence finalmente saiu da sua espécie de hibernação de inverno. A última vez que a estrela havia sido vista pelo grande público foi em janeiro, andando de bicicleta elétrica pela cidade, enrolada em um pesado casaco de pelúcia com estampa de leopardo. Agora, as grossas camadas de frio deram lugar a um frescor primaveril.
Na manhã seguinte ao domingo de Páscoa, a atriz levou seu filho, Cy, ao parque. Mesmo com uma proposta de visual bastante descontraída, perfeita para um passeio matinal sem grandes pretensões, Lawrence acabou encarnando uma das tendências mais fortes desfiladas nas passarelas para o outono de 2026: as cores primárias. Ela vestiu uma camiseta amarelo-manteiga da Junk Food com a estampa “Strawberry Fields Forever”, em uma clássica homenagem aos Beatles. A peça serviu de base para um vibrante cardigã vermelho de gola, tudo arrematado por uma calça jeans azul de lavagem média com cinto.
Os acessórios complementaram o look com uma inteligência cromática invejável. Ela combinou o tom cereja do suéter com seu tênis Adidas Tokyo e escolheu um boné de beisebol azul da marca Shrits, estampado com a obra “Ninféias” de Monet. Para quebrar a rigidez do trio amarelo, azul e vermelho, Lawrence passeou sutilmente por cores secundárias e neutras, incorporando um colar de contas de jade, óculos de sol com armação marrom e lentes em tom sépia, além de carregar uma prática bolsa Hermès Lindy, também marrom.
Esse visual descomplicado reflete um movimento massivo das grifes. Nas coleções de primavera, nomes como Michael Rider apresentaram essas mesmas cores primárias em vestidos curtos estampados com margaridas, lenços de seda e peças de tricô na Celine. Duran Lantink trouxe uma pegada inspirada no universo do motociclismo para a Jean Paul Gaultier. A Saint Laurent acompanhou o movimento em sua coleção resort com corta-ventos com forte apelo oitentista e vestidos leves estilo camisola, enquanto a Chanel testou a mistura ousada de estampas em sua linha Métiers d’art.
A paixão da indústria pelo trio cromático básico continua forte e já invadiu o outono. Marcas super comentadas, como Lii e Auralee, apresentaram blocos de cores primárias em seus últimos desfiles, uma aposta que também recebeu a chancela de grifes tradicionais como Loewe e Stella McCartney. No fim das contas, seja segurando uma bolsa de crochê cheia de detalhes ou vestindo a combinação esperta de calça jeans e camiseta colorida, fica claro que traduzir o que está nas passarelas é muito mais simples do que parece. É tudo uma questão de olhar com criatividade para o próprio guarda-roupa.