Para começo de conversa, é inegável que a televisão passou por uma metamorfose brutal neste século. A gente adora se meter em missões quase impossíveis, então resolvemos elencar as melhores séries do século XXI até agora. É claro que uma lista de respeito jamais deixaria de fora pedradas como Breaking Bad, The Americans ou Six Feet Under. Mas fechar um Top 25 — e aqui vamos focar no suprassumo, o Top 5 — exige cortes que doem na alma, ao mesmo tempo em que precisamos exaltar joias subestimadas que muita gente esqueceu rápido demais (alô, Crazy Ex-Girlfriend, nós não esquecemos de você!).
O Pódio Definitivo da Ficção
5. The Wire A HBO entregou um retrato visceral e desolador de uma cidade em colapso. Focando inicialmente no tráfico de drogas nos conjuntos habitacionais de Baltimore, o criador David Chase depois mudou a lente para os esquemas ilegais dos portos, a corrupção do governo e a luta de um jornal tentando cobrir tudo isso. Essas mudanças criativas foram montando um quebra-cabeça gigante, escancarando como as instituições falidas esmagam o cidadão americano comum — uma realidade bem dura de engolir. Todos os personagens, dos dois lados da moeda, são figuras tridimensionais carregadas de bagagem, motivos e ambições. E as atuações? Idris Elba, Dominic West, Wendell Pierce, Lance Reddick e Michael K. Williams elevaram o sarrafo a um nível absurdo. Num mundo onde todo mundo só quer sobreviver, nada é preto no branco.
4. Mad Men O drama da AMC foi um registro deslumbrante da turbulenta América dos anos 1960. A trama gira em torno do executivo de contas Don Draper (Jon Hamm) e da agência da Madison Avenue onde ele bate ponto. Enquanto a equipe vendia a perfeição em campanhas geniais, a vida pessoal deles mesmos era um caldeirão de insegurança, incerteza e infidelidade. Levar 16 Emmys para casa ao longo de sete temporadas não é pouca coisa; é a prova viva da genialidade do roteiro impecável e das atuações de peso de um elenco que contava com Elisabeth Moss, John Slattery, Vincent Kartheiser e Christina Hendricks — tudo lapidado pela visão cirúrgica do criador Matthew Weiner.
3. Veep É no mínimo curioso (e trágico) ver uma série ficar ainda mais atual depois que acaba, mas Veep conseguiu esse feito. A sátira política engatou uma marcha onde a realidade parece cada vez mais copiar a ficção. Entregando um retrato hilário da pura incompetência governamental, a série foi carregada nas costas pela inigualável Julia Louis-Dreyfus. A sua Vice-Presidente Selina Meyer, vaidosa e implacável, virou uma das anti-heroínas mais inesquecíveis da TV e rendeu seis Emmys à atriz. A verdade é que não existia elo fraco naquele elenco, com Tony Hale, Anna Chlumsky, Timothy Simons e Sam Richardson brilhando como coadjuvantes que não te davam um minuto de fôlego entre uma risada e outra.
2. Breaking Bad Se você é da turma que ainda não assistiu, mas já ouviu os elogios mil vezes e acha que o hype é exagerado… pois é, o negócio é incrivelmente bom mesmo. Bryan Cranston engole a tela como Walter White, o professor de química do ensino médio que, ao receber um diagnóstico de câncer de pulmão, resolve cozinhar metanfetamina para fazer um pé-de-meia. Ele puxa o ex-aluno Jesse Pinkman (Aaron Paul) para a jogada, e o que começa como uma desventura torta e até cômica de baixo risco, vira o drama criminal mais claustrofóbico e viciante da televisão ao longo de cinco temporadas. A alquimia entre o roteiro e a direção de Vince Gilligan e as atuações históricas de Cranston, Paul, Giancarlo Esposito e Jonathan Banks é um fenômeno que nem o próprio Walter White conseguiria explicar na lousa.
1. 30 Rock Se o critério fosse simplesmente o “maior volume de piadas por minuto”, 30 Rock continuaria no topo. Desvie a atenção por uma única cena e você já perdeu meia dúzia de punchlines. Mas as tiradas rápidas e inteligentes são apenas um pedaço da genialidade da comédia da NBC. A série mergulhou nos bastidores do fictício TGS, liderado pela redatora-chefe Liz Lemon (Tina Fey), e entregou uma crítica à indústria do entretenimento que estava anos à frente do seu tempo — e que parece ficar mais profética a cada ano que passa em Hollywood. Sério, quinze anos depois de inventarem o bizarro reality show “M.I.L.F. Island”, o canal TLC nos brindou com o muito real “M.I.L.F. Manor”. Para completar, fomos mimados com atuações que definiram carreiras: Jane Krakowski como a atriz narcisista Jenna Maroney, Tracy Morgan como o imprevisível astro Tracy Jordan, e o icônico Jack McBrayer.
A Transformação da Plataforma e a Nova Era da Transmissão
Ter produções e histórias tão brilhantes é excelente, mas a forma como consumimos tudo isso também está passando por uma revolução pesada. O streaming engoliu muita coisa, e as gigantes da tecnologia não querem perder espaço na tela grande da sua sala.
Pegue o YouTube, por exemplo. Para comemorar os seus 20 anos de estrada, a plataforma já avisou que vai reformular de cabo a rabo a interface do seu aplicativo para smart TVs. O lançamento dessa repaginada está previsto para sair no meio deste ano, trazendo recursos com inteligência artificial e uma pegada muito mais personalizada. O objetivo é deixar a navegação mais fluida, melhorar os ajustes de reprodução e qualidade, além de facilitar a vida de quem quer ler comentários ou acessar informações dos canais direto na TV. Eles querem a experiência de sala de estar perfeita.
Aí você se pergunta: e a TV aberta tradicional? Ela vai simplesmente ficar parada no tempo?
Muito pelo contrário. A resposta do setor atende pelo nome de DTV+ (ou TV 3.0), e o Brasil está bem no olho desse furacão tecnológico. Neste momento, uma estação instalada no Pico do Sumaré, no Rio de Janeiro, já está conduzindo as transmissões experimentais, com sinal alcançando a Zona Sul carioca e a região da Barra da Tijuca. Por enquanto, o acesso é restrito aos profissionais do setor, mas a previsão é que a tecnologia esteja disponível para o grande público agora, a partir de 2026.
A promessa é que a DTV+ seja o próximo grande salto evolutivo da televisão digital. Segundo os especialistas, isso se traduz em muito mais qualidade de imagem, opções interativas e uma mudança que pode virar o jogo: a personalização pesada de conteúdos e publicidade. Sabe a forma como as redes sociais entregam aquele anúncio perfeitamente adaptado aos seus interesses e à sua localização? A TV aberta vai passar a fazer o mesmo.
A dinâmica dos canais vai mudar de cara. Eles vão funcionar de um jeito muito parecido com aplicativos, oferecendo uma navegação similar à que já estamos acostumados a usar nas plataformas de streaming nas smart TVs. O grande trunfo é que a TV 3.0 continuará sendo gratuita (já que estamos falando de TV aberta, afinal de contas), e o usuário não será obrigado a ter uma conexão de internet para usar grande parte dos recursos novos. Porém, ao plugar a TV na internet, a experiência ganha tração e fica incrivelmente mais personalizada.
Na prática, assim como rolou na virada da TV analógica para a digital anos atrás, a princípio precisaremos de um conversor para captar o sinal da DTV+. Segundo informou o Ministério das Comunicações, ainda não há um preço definido para esses dispositivos, até porque os modelos que existem hoje ainda não passam de protótipos.
Seja acompanhando os maiores clássicos das últimas décadas, navegando por uma nova interface com inteligência artificial, ou testando os canais interativos da nova geração aberta, o fato é que sentar no sofá para assistir TV ganhou um significado totalmente novo. O formato mudou, mas a magia da tela, essa segue mais viva do que nunca.