Em um cenário onde as redes sociais frequentemente assumem o papel de curadoras globais, a moda contemporânea vive um momento de dualidade fascinante. De um lado, observa-se a consolidação de estéticas hiperfemininas e delicadas, enquanto, do outro, o horizonte aponta para um futuro próximo marcado por contrastes vibrantes e uma ruptura com a sobriedade excessiva. Atualmente, quem domina as vitrines digitais e físicas é o estilo “coquette”, uma tendência que resgata o romantismo e enfatiza a feminilidade através de uma ótica repaginada.
A reinvenção da delicadeza
O estilo coquette não é apenas uma moda passageira, mas uma afirmação de beleza que cativa pelo charme e pelos detalhes. Segundo a consultora de imagem e estilo Gabi Rosa, trata-se de uma vertente versátil, adaptável à personalidade de quem a veste. Embora suas raízes remontem à França do século XVII — carregando o significado original de uma mulher que flerta e encanta —, a versão atual traz um toque de sensualidade agregado. Vestidos rodados, laços e acessórios elegantes fundem-se a transparências e recortes estratégicos, criando um intrigante jogo de “revela-esconde”. Essa abordagem permite expressar uma sensualidade velada, provando que o romantismo pode ser moderno e instigante.
O fim do luxo silencioso e as novas apostas
Enquanto o estilo coquette celebra a forma e a textura, as previsões para 2026 indicam que a cor será o principal veículo de expressão individual, sinalizando o declínio dos neutros mudos que definiram o chamado “quiet luxury”. Especialistas apontam que o mercado será infiltrado por tonalidades menos definitivas e combinações que equilibram o caos e a calma. Xanthe Wells, vice-presidente global de criação do Pinterest, analisa que a maioria das pessoas não vive em apenas um estado de espírito; alternamos entre seriedade e brincadeira. As cores de 2026 capturam exatamente essa complexidade da vida moderna, servindo como uma linguagem intencional para moldar sentimentos e projetar identidades.
Sóbrios, porém impactantes
Nas passarelas internacionais e no street style, tons como o Jade Green já começam a dar as caras. Diferente do menta lúdico de temporadas passadas, este verde apresenta-se mais fundamentado e sereno, funcionando quase como um neutro sofisticado, conforme visto em coleções de grifes como Amiri e Balmain. Para quem prefere uma alternativa ao clássico preto, surge o Dark Plum Noir. Esta tonalidade profunda de ameixa oferece uma estética gótica romântica e temperamental. Marcas como Tom Ford e Rabanne apostaram nessa cor, que possui força suficiente para ser a base de um guarda-roupa ou atuar como um acento dramático, criando um equilíbrio intrigante quando combinada com tons mais elétricos.
Vibrância e nostalgia nas combinações
Contrapondo a seriedade dos tons profundos, 2026 trará uma explosão de energia. O Electric Wasabi, um verde-amarelo neon, promete reinar supremo. Grifes como Prada e Dior já introduziram essa cor ácida, que pode parecer intimidante à primeira vista, mas funciona perfeitamente em detalhes, como sapatos ou sobreposições. Paralelamente, a tendência do Shocking Pink continua firme, com o magenta vibrante aparecendo em looks completos da MM6 Maison Margiela e em acessórios da Burberry. Além disso, há um retorno às paletas primárias — vermelho, azul e amarelo —, utilizadas de forma estratégica por designers como Loewe e DSquared2 para criar impactos visuais que remetem à pureza das cores de caixa de giz de cera.
Ousadia nas misturas inusitadas
A inovação também reside nas combinações inesperadas que desafiam o olhar tradicional. A união do marrom chocolate com o azul gelo, evocando a estética “menta com chocolate”, é uma aposta forte para renovar peças de inverno, como demonstrado pela Acne Studios e Emilia Wickstead. Por fim, para aqueles que desejam transitar entre o tropical e o invernal, o Juicy Persimmon — um tom rico de laranja avermelhado — surge como uma opção apetitosa. Adotado por Christopher John Rogers, essa cor garante que, seja através de um look monocromático ou de um acessório de lã, a intenção de quem veste é, inegavelmente, brilhar e comunicar sua presença no mundo.