Templo hindu de Preah Vihear, na fronteira entre a Tailândia e o Camboja (Milkovasa)

Janela para Indochina

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Tailândia dá acesso às belezas da ex-península francesa

O Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, em Bangkok, é a 6ª base aérea de maior movimento da Ásia. Ao ano, passam por ele cerca de 50 milhões de passageiros. O tamanho fluxo de gente chegando à capital tailandesa e saindo dela dita o ritmo do turismo na região. A Tailândia representa, afinal, a porta de acesso ao Sudeste Asiático e às maravilhas arquitetônicas e gastronômicas da Península Indochinesa.

Domínio francês no século 19, a Indochina estampa belezas naturais, cultura milenar e calor tropical: atributos absolutamente encantadores. Ela compreende o Laos, o Camboja e o Vietnã. Em sentido amplo, no entanto, geralmente levado em conta nos roteiros de viagem, pode abranger também a Tailândia e Mianmar. Uma vez em Bangkok, tem-se fácil acesso à Indochina por via aérea.

A capital tailandesa é metrópole tropical que alia a paisagem urbanística de São Paulo e Nova Iorque ao espírito festivo e colorido do Rio de Janeiro. As badaladas noites da cidade proporcionam alternativas para todos os gostos e bolsos.

Situado no coração de Bangkok, o Vertigo & Moon Bar funciona no terraço do Banyan Tree Hotel, 61º andar. A visão panorâmica é ideal para se relaxar, ao pôr do sol, depois de um dia de passeio. O drink especial da casa é o Vertigo Sunset, uma mistura de abacaxi, cranberry, suco de limão e Malibu. Depois da primeira dose, a vertigem diminui e é possível acostumar-se com a sensação de estar flutuando acima de arranha-céus a perder de vista.

A cozinha da Tailândia não se caracteriza pela simplicidade. Na verdade, ela é reconhecida por sua capacidade de harmonizar, em um mesmo prato, sabores que vão do doce ao apimentado, do azedo ao salgado. O povo tailandês muito se orgulha de sua culinária internacionalmente apreciada. Pesquisa recente realizada pelo programa de televisão norte-americano CNN Travel listou sete receitas do país entre as 50 mais deliciosas do mundo.

Um dos mais famosos pratos tailandeses é o Tom Yum, uma sopa picante e ligeiramente ácida, feita com legumes e camarões. A iguaria é servida, com esmero, no restaurante Blue Elephant, um dos mais renomados e sofisticados de Bangkok.

Se a culinária tailandesa é artigo de exportação, a marca do país se fortalece internamente, conforme demonstram os números do setor de turismo: 30 milhões de visitantes, em 2015, o equivalente a quase metade da população da Tailândia! Eles estão, normalmente, em busca de sol abundante e das praias paradisíacas da Península de Malaca. A oeste, ela é banhada pelo Mar de Andaman, onde ficam as deslumbrantes Ilhas Phi Phi.

“Phi Phi é um conjunto de ilhas e penhascos de calcário ligados por bancos de areias, corais, cavernas e praias”, descreveu o advogado João Fonseca, 30 anos. “Qual a graça do lugar? O formato das ilhas. Pontiagudas, diferente das nossas”, acrescentou.

Além das belezas naturais, a Tailândia conserva ruínas históricas, parte importante de sua milenar cultura. O templo hindu de Preah Vihear foi erguido em um platô, nos Montes Dângrêk, região de fronteira com o Camboja, no século 11. Os limites territoriais determinados no final da década de 1940 e a disputa pela soberania do monumento ainda geram conflitos entre tailandeses e cambojanos.

ARQUITETURA KHMER

Seguindo o rastro dos templos da Península Indochinesa, no Camboja, encontra-se Angkor Wat, o maior monumento religioso do mundo, retrato do poder do Império Khmer, que floresceu do século 9 ao 13, chegando a ocupar partes da Tailândia, do Laos e do Vietnã.

Pelas ruínas da antiga cidade de Angkor, estão espalhados inúmeros templos tanto hindus quanto budistas, evidência da posterior conversão da civilização Khmer ao budismo. A variedade dos símbolos de cada religião se mistura nos detalhes da paisagem.

Em 14 de dezembro de 1992, o sítio arqueológico de Angkor foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O local é considerado sagrado por budistas.

Um dos pacotes da premiada agência de turismo de luxo norte-americana Abercrombie & Kent inclui visita guiada a Angkor e cruzeiro pelo lendário rio Mekong. A travessia de barco se encerra em Ho Chi Minh, no Vietnã.

MARCAS DA GUERRA

Capital vietnamita, Hanói é marcada pela herança francesa. A bela arquitetura que enfeita as antigas ruas da cidade poderia ser confundida com a fotografia de Paris. O legado colonial contrasta, por outro lado, com os monumentos dedicados à independência do país. A peça central, de inspiração nacionalista, é o Mausoléo de Ho Chi Minh, fundador do moderno Estado do Vietnã.

Ho Chi Minh foi um líder revolucionário e comunista que viveu entre 1890 e 1969. Por causa de sua relevância, a antiga capital Saigon fora rebatizada, posteriormente, com o nome dele. A cidade de Ho Chi Minh guarda o Museu dos Remanescentes da Guerra do Vietnã. Ele preserva a história do conflito que teve a participação dos Estados Unidos, entre 1955 e 1975. Estão expostos tanques, aviões, helicópteros e armamentos utilizados nas batalhas da época.

Ainda em Ho Chi Minh City, o Palácio da Reunificação é o marco onde foi estabelecido o fim da Guerra do Vietnã, em 1975, e a consequente queda de Saigon. A visita ao interior do edifício é imprescindível, dada a relevância histórica dele. Os franceses deram início à construção da estrutura, em 1868, e concluíram-na, em 1873.

HERANÇA FRANCESA

Ao norte do Vietnã, encontra-se o Laos, outra ex-colônia da França, país multiétnico e sem saída para o mar. Ele é formado pela planície florestal do rio Mekong e pelos planaltos da região central. Além da capital, Vientiane, a cidade de Luang Prabang é um de seus centros urbanos mais conhecidos.

“Todo dia, à 5h da manhã, os monges passam nas ruas de Luang Prabang com recipientes vazios. Os moradores vão para a rua, no mesmo horário, para encher esses recipientes de comida”, relatou à Estilo BB a jornalista Luiza Machado. “Os monges vivem disso, toda a alimentação deles vem daí.”

Em Luang Prabang, a colonização francesa está presente nas padarias de estilo francês, nas baguetes vendidas por elas e nas pequenas casas coloniais próximas a templos asiáticos. “É uma mistura bem legal”, garante Luiza.

A capital, Vientiane, possui pontos turísticos relevantes. Assim como os demais países da Indochina, o Laos preserva legado de monumentos, estátuas e ruínas. Um dos mais famosos é o Patuxai (“Portão da Vitória”, em português), construído entre 1957 e 1968, em homenagem à guerra de independência contra a França, em 1949.

CULTURA MILENAR

A melhor e mais didática forma de se explicar a antiga Birmânia é comparando-a a uma redoma. Mianmar conseguiu conservar aspectos culturais milenares do contato com o exterior, resultado de décadas de fechado e estrito regime militar à frente do país.

Nos tempos atuais, algumas tribos locais ainda mantêm costumes remotos. Na etnia karen, uma das mais de 130 reconhecidas oficialmente pelo governo de Mianmar, as mulheres usam os tradicionais anéis que lhes renderam o apelido de “girafas”, devido ao natural alongamento do pescoço causado por eles.

Dos passeios mais agradáveis que se pode fazer, Mianmar oferece a experiência do balonismo. A visão panorâmica dos templos budistas da árida cidade de Bagan e a beleza das estupas observadas de cima são as vantagens do sobrevoo.

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