testeee2

Brasil imperial

Conteudo Isobar

Tiradentes, uma das cidades históricas do Brasil Império, traz opções sofisticadas e intimistas para o turismo.

Quem não conhece até pode deduzir de primeira que Tiradentes é uma cidade que surgiu graças ao mais célebre mártir brasileiro ou até mesmo que é uma cidadezinha no interior de Minas sem nenhum atrativo ou sofisticação.

A história de Tiradentes, contudo, nos mostra que a realidade vai muito além do inconfidente e chega a um dos períodos mais tresloucados do barroco brasileiro: o apogeu da corrida áurea em Minas Gerais, cuja faceta resplandece nas exageradas camadas do mais puro ouro no interior da Igreja Matriz de Santo Antonio, cravada em um ponto alto e privilegiado da cidade, e na obra que enfeita o exterior da construção, de autoria de um dos escultores mais famosos do Brasil: Aleijadinho.

Não para por aí. Tiradentes também virou um intenso polo cultural, especificamente nos meses de janeiro, junho e agosto, quando acontecem, respectivamente, o Festival de Cinema, o Festival de Motos Clássicas e o Festival de Cultura e Gastronomia – todos com reputação nacional e internacional. No entanto, para quem deseja fugir do jet-set e mergulhar na bolha de tranquilidade, um feriado – como o entre os dias 18 e 21 deste mês que, aliás, celebra também a Inconfidência Mineira – é a escolha ideal.

Tiradentes pode ser explorada em um período entre um e cinco dias – sim, um dia é suficiente para conhecer a diminuta cidade de 7 mil habitantes. A pedida é usar calçados confortáveis, já que, nos moldes de Paraty, a cidade mineira também mantém calçadas de grandes pedras – e igualmente grandes fissuras entre elas.

Dois passeios são fundamentais se a ideia é ficar lá durante mais alguns dias. O primeiro é na cidade de Bichinho, a 8 km de Tiradentes, onde há um verdadeiro ateliê de arte mineira a céu aberto. A cidade se tornou uma referência desse tipo de comércio graças ao artista plástico Antônio Carlos Bech, o Toti, que, em 1991, começou a ensinar técnicas de artesanato para os moradores da cidade rural. Vale visitar a Oficina de Agosto, de móveis e esculturas do próprio Toti; a loja Bageco, que usa ferro como matéria-prima para arandelas e lustres; a Cipó Artes, com móveis de troncos de cipó retorcido e a Loja da Carmen, de colchas artesanais.

O outro é contato puro e genuíno com a natureza: aproveitar as trilhas no entorno de Tiradentes. A mais famosa é a antiquíssima Trilha do Carteiro, que engloba a calçada dos escravos, um caminho pedregulhoso feito por escravos na época do Brasil Colônia. É um caminho fácil, mas pode ser meio confuso para os trilheiros de primeira viagem, então a dica é encontrar um bom serviço de guias – a Uai Trip costuma fornecer um pequeno lanchinho, capas de chuva e cajados para se apoiar, além de ter guias que contam a história das cidades pelas quais o caminho transpassa. O trajeto, porém, é rápido e desfavorece quem deseja tirar fotos; neste caso, é altamente recomendável que o turista contrate um guia exclusivo para o dia.

Isso vale a pena, principalmente, caso o dia esteja quente e você queira aproveitar as águas cor de conhaque das piscinas naturais da Trilha do Carteiro, que têm uma beleza bastante peculiar.

Há várias opções de requinte para se hospedar em Tiradentes. Mesmo com o charme rústico, o  Pouso de Bartolomeo tem quartos sofisticados com paisagens paradisíacas, como o apartamento luxo e a suíte master gourmet. Quem preza pela jacuzzi no quarto pode optar pelo apartamento premium do Santíssimo Resort, que dá amenities especiais ao hóspede. Aqueles que adoram prestar atenção nos finos detalhes deve escolher as acomodações da pousada Lis Bleu, que mantém lareiras nos 12 chalés e banheira de hidromassagem, além de um impecável café da manhã.

Comidas, aliás, são outro grande atrativo de Tiradentes: prove o frango com quiabo “dos deuses” do ultrabadalado Estalagem do Sabor. Vale uma visita ao igualmente bem quisto restaurante Tragaluz, cuja carta de vinhos surpreende os apreciadores de uma das bebidas mais antigas do mundo. E atenção: guarde espaço para as sobremesas, como sorvete de queijo com doce de leite queimado e as sublimes sobremesas de goiabada cascão. Mesmo não sendo fã de doces, dê atenção especial ao doce de leite do Bolota, uma iguaria composta em proporção de 15 litros de leite para apenas 200 gramas de açúcar. Pode saborear com um gole de água potável no Chafariz de São José, construção peculiar cuja idade é 265 anos.  Um típico – e preciosoroteiro de pequenos sabores e caminhos de Minas.

(Na foto que abre a reportagem, Tiradentes e a sua característica igreja barroca; crédito: Rosino/Creative Commons)

Produtos Estilo Para Você

Mais Matérias