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A botânica da selva

Conteudo Isobar

Não existe lugar melhor para apreciar a vegetação do que a Amazônia – descubra como fazer o destino com todo o charme e conforto que ele merece.

Jennifer e Roy são um jovem casal da gélida Belfast, no Reino Unido, que escolheu como destino de lua-de-mel um lugar diametralmente oposto da cidade-natal: a Amazônia. “É muito quente por aqui. E muito, muito bonito. Diferente de tudo o que eu já vi. As pessoas são muito gentis”, dizia a bela loura de imensos olhos azuis à reportagem da Revista Estilo BB. Enquanto se banhavam nas águas cálidas do gigantesco Rio Negro, ela e seu marido estavam deslumbrados com tudo o que viam ao redor. “Não há nada igual. Nada se compara”, emenda ele, em um misto de plenitude e agitação.

Inúmeros são os motivos pelos quais a Amazônia é um dos destinos que está na rota de visitantes do mundo todo. A proporcionalidade entre turistas brasileiros e estrangeiros, aliás, é díspar, já que os gringos estão muito mais presentes do que os viajantes nacionais. O que não muda uma certeza, uma convicção absoluta, quase um mantra quando se está por lá: todo brasileiro deveria ter o prazer de conhecer a Floresta Amazônica. Pelo menos uma vez na vida.

Para concretizar a experiência com conforto – sem perder o charme selvagem, contudo – alguns hotéis oferecem aventuras únicas de exploração da maior biodiversidade do planeta. Dentre todos eles, porém, o Anavilhanas Jungle Lodge, a cerca de 3 horas de Manaus, destoa devido a acasos e sucessos que lhe conferem algumas vantagens. Por ficar às margens do Rio Negro, não há insetos que incomodam ou se alimentam de sangue, uma vez que o pH é extremamente ácido (~4.0) e inóspito para esse tipo de parasita. Repelente, então, serve apenas para enxotar alguns bichos inofensivos, mas barulhentos – como besouros e algumas vespas que não fazem mal a ninguém.

Outro diferencial que favorece o hotel é o combinado entre bom gosto, charme e qualidade de atendimento (bilíngue), tanto em relações interpessoais quanto em alimentação ou passeios oferecidos, tudo isso agregado ao pacote de hospedagem (veja todas as opções aqui). Uma experiência completa do começo ao fim, sem luxos como concierge ou outros atributos absolutamente dispensáveis, mas com conforto e requinte na medida certa. A qualidade é o predicado que acolhe todos os hóspedes, desde a deferência do transfer bem-sucedido (há horários específicos saindo do aeroporto de Manaus e retornando à cidade; veja no infográfico abaixo) até a deliciosa culinária, que usa muitos peixes, frutos e sementes locais. A consagração do Anavilhanas veio pelo Certificado de Excelência de 2014 do Trip Advisor, maior termômetro turístico mundial da atualidade.

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Verde que te quero verde

Last, but not least, a exuberância botânica da Floresta Amazônica é o que vale por toda a viagem – no caso do Anavilhanas, toda ela apreciada sob a tutela de guias experientes, muitos deles integrantes da comunidade cabocla da região.

Caso de Helinho, um guia com sabedoria ímpar a respeito da botânica da selva e que está no staff do hotel desde o seu começo, há sete anos. Com ele, a reportagem percorreu o Parque Nacional de Anavilhanas que, sob esse nome, é área de proteção ambiental com caça, pesca e extrativismo proibidos. São cerca de 400 ilhas divididas pelos paranãs (grandes canais que as separam) e 130 km de extensão por 20 km de largura, isto é, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo.

Dá para imaginar que estamos falando de um ecossistema riquíssimo e com formações florestais variadas. Mas a mais impressionante delas é o igapó, ou, como dizem os nativos, a floresta afundada.

São imensas porções de vegetação que vivem submersas nas águas do Rio Negro durante boa parte do tempo amazônico, mais precisamente de junho até setembro, meados de outubro. No Parque Nacional de Anavilhanas, existe a mais impressionante delas – um conjunto de árvores que nem os nativos, tampouco botânicos sabem precisar a idade (estima-se, no entanto, que esse núcleo  específico tenha por volta de 400 anos).

Ao redor, e por mais sinistra que a afirmação possa parecer, um belo cemitério das mesmas árvores de troncos obtusos e cortados. O Rio Negro, por sua natureza escura, forma um espelho d’água que reflete a paisagem disposta sobre ele – difícil não pensar nos fractais, modelo matemático de reprodução perfeita e exata das formas e padrões por escala.

Por dentro das ilhas, há pequenos canais que as cortam; chamados de furos, eles revelam uma paisagem tranquilizadora e pacífica em meio aos diversos tons de verde – e algumas parcas flores – do ecossistema amazônico. Ao fundo, apenas os sons de animais. Um deles é extremamente peculiar: o capitão-do-mato, pássaro que vive apenas em florestas primárias (intocadas pelo extrativismo ou desmatamento), e cuja função é alertar os demais animais sobre os invasores – éramos nós, é claro.

Mundo selvagem

Um passeio também é oferecido pela região do arquipélago à noite, pelo qual é possível ver e ouvir animais em seu habitat. Veem-se jacarés, corujas, bichos-preguiça, cobras variadas e passarinhos selvagens. Na época em que a seca natural avança – entre novembro e fevereiro – os macacos migram para o interior da floresta em busca de alimento, mas eles aparecem na região durante a outra porção do calendário.

Quem nunca fisgou uma piranha também pode levar uma boa história de pescador na bagagem. Se a paciência é a mãe de todas as virtudes, ela é requerida para cada momento em que esse peixe carnívoro devora a isca sem ser capturado (foi uma situação recorrente na aventura de barco). Como a pesca é recreativa, as piranhas voltam para o rio ainda vivas.

Outro ponto imperdível da viagem é o lendário boto rosa – assim apelidado por Jacques Cousteau ao visitar a Amazônia. Ir até o Rio Negro e não conhecer o Flutuante do Boto é como viajar a Paris e não ver a torre Eiffel, algo tanto impossível quanto inimaginável. É toda uma experiência sentir a textura macia da pele e se assustar com os saltos olímpicos desses bichos curiosos e que, apesar de emanarem doçura, são carnívoros e podem morder (mas, como todos os animais selvagens, somente quando incomodados).

A riqueza da Amazônia não para por aí: são necessários vários dias para explorá-la. O mais recomendado é que se opte por, no mínimo, um pacote de quatro dias de imersão – ao menos é o que indica o proprietário do Anavilhanas, Augusto Costa Filho, que, junto à mulher e sócia Fabiana Caricati, divide a vida entre lá e São Paulo. Mesmo com todo o empenho para se chegar, sensivelmente catalisado pelo bom serviço do hotel, a viagem toda vale a pena. Basta olhar a imensidão do Rio Negro – indescritível, inenarrável, irretratável – para entender o porquê da Amazônia ser um dos lugares mais espetaculares do mundo.

A JORNALISTA VIAJOU A CONVITE DO ANAVILHANAS JUNGLE LODGE E DA GOL LINHAS AÉREAS


(Na foto que abre a reportagem, vista do amanhecer da floresta afundada no Parque Nacional de Anavilhanas; crédito: Marina Lang/Revista Estilo BB)

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