INTERLAGOS - SÃO PAULO (SP) - 23.06.2015 - INTERLAGOS -  AUTÓDROMO DE INTERLAGOS JOSE CARLOS PACE. NA FOTO, OBRAS DE AMPLIAÇÃO DOS BOXES. FOTO:JOSE CORDEIRO/SPTURIS

Corações na pista

Conteudo Isobar

Cenário de grandes eventos do automobilismo, o autódromo de Interlagos guarda memórias da capital paulista e amantes do esporte.

São Paulo é o maior polo de turismo de negócios do Brasil, isso todo mundo já sabe. E não é só o mundo corporativo que faz a economia turística paulistana girar. Só no ano passado, a Fórmula 1 foi responsável por uma movimentação de R$ 296 milhões, um valor 13% acima do resultado de 2013.

A uma semana do início dos treinos para o Grande Prêmio de Fórmula 1, pilotos e escuderias dividem os holofotes com um dos maiores patrimônios históricos paulistanos: o Autódromo de Interlagos, que acaba de receber melhorias para receber o maior evento automobilístico do mundo.

Batizado originalmente como Autódromo José Carlos Pace, o projeto de Interlagos está bastante ligado ao desenvolvimento urbano da cidade do início do século XX. Em meados da década de 1920, o engenheiro britânico Louis Romero Sanson, dono da empresa de construção Auto-Estradas e responsável pela construção do Aeroporto de Congonhas, planejou a construção de um resort entre as represas de Guarapiranga e Billings, com o urbanista francês Alfred Agache, que viu uma semelhança da região sul de São Paulo com Interlaken, na Suíça, que se situa entre dois lagos.

O projeto incluía casas, um hotel de luxo, centros de lazer, um ginásio esportivo, o autódromo e até uma praia artificial na represa com areia vinda de Santos. Tudo isso para convencer as camadas mais ricas da sociedade a deixarem o centro da cidade e se mudarem para o novo bairro satélite. No entanto, a crise de 1929 dos Estados Unidos e a revolução de 1932 engavetaram os planos.
Foi a partir de 1936, com o sucesso das corridas de automóveis, que São Paulo recebeu sua primeira prova internacional nas ruas da capital. Mas não foi só a paixão pelo automobilismo que acelerou o projeto do autódromo; um trágico acidente envolvendo a piloto francesa Hellé-Nice fez com que as autoridades percebessem a necessidade de um local seguro para a realização das competições.

Cercado de grande expectativa, o Autódromo de Interlagos foi aberto oficialmente em 1940, junto com um espaçoso estacionamento e o Hotel Interlagos, para acomodar os turistas. A corrida inaugural aconteceu em maio daquele ano, diante de um público de 15 mil pessoas que assistiram a uma disputa de motocicletas e o Grande Prêmio São Paulo, que se estendia por 25 voltas e 200 km de percurso.

Na época, o chão era de terra batida, não havia arquibancadas, boxes, guard-rails, lanchonetes, banheiros, torre de cronometragem e transmissão, nem mesmo muros. Quem quisesse pular as cercas de arame farpado, conseguia sem muita dificuldade.

O traçado original foi desenhado para oferecer duas versões: um anel externo de 3,25 km, para ser alta velocidade e o chamado circuito completo que, contando com o setor do miolo, de 4,75 km, totalizava 8 mil metros de extensão.

No final de 1967, o Autódromo foi fechado para reformas e voltou a funcionar em fevereiro de 1970. Apesar de ainda não estar totalmente pronto, Interlagos viu a consagração de um jovem piloto brasileiro durante a etapa do Campeonato Internacional de Fórmula Ford: Emerson Fittipaldi.

No ano seguinte, a pista paulistana recebeu a Fórmula 2 extra-campeonato, que teve Fittipaldi como grande vencedor, e funcionou como o primeiro grande teste do autódromo antes de ser homologado para receber o Grande Prêmio de Fórmula 1. Nesse mesmo ano, finalmente recebeu alambrados nas áreas dos boxes, zebras na pista, túnel para acesso ao interior do circuito, um edifício de quatro andares para abrigar as transmissões de rádio e televisão, além da tribuna de honra.

Em sua estreia na Fórmula 1, o Autódromo recebeu apenas quatro pilotos brasileiros e oito estrangeiros, pois ainda não era uma etapa oficial e, assim, não contava pontos para o campeonato. Foi o sucesso do evento que fez com que o Brasil passasse a integrar de vez o calendário do Campeonato Mundial de Fórmula 1 e, logo na primeira prova oficial, foi Emerson Fittipaldi que subiu ao topo do pódio.

Interlagos foi sede do GP Brasil de 1973 a 1977 e em 1979, sendo substituído por Jacarepaguá, no Rio, nos anos de 1978 e 1981, por falta de verba da prefeitura paulistana.

Foi só em 1990 que São Paulo voltou ao circuito F-1, após uma série de reformas com novos boxes, torre de controle, área de imprensa e a diminuição do percurso para 4.325, seguindo a tendência de circuitos de até 4,5 km de extensão. A corrida de reinauguração foi vencida pelo francês Alain Prost, com o austríaco Gethard Berger em segundo lugar e o Ayrton Senna em terceiro.

A famosa curva “S do Senna” foi, aliás, uma sugestão do próprio piloto brasileiro e campeão mundial, que também tem seu nome homenageado pelo Kartódromo Ayrton Senna, que fica ao lado do circuito do Autódromo. Foi inaugurado em 1970 e carrega o nome de um de seus melhores alunos, sendo usado como escola de automobilismo e em provas do Campeonato Paulista de Kart, corridas de motociclismo, além de treinos particulares e amadores.

Os treinos livres para o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 se estendem pela sexta-feira (13/11) e sábado, que recebe a sessão classificatória a partir das 14h. A disputa pelo título acontece no domingo e os ingressos para os três dias podem ser adquiridos pelo site www.gpbrasil.com.br.

Mais Matérias