CAVALERA - Desfile V16 - Fotos Fernanda Calfat (31)

Identidade Indígena

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Nova coleção da marca Cavalera tem inspiração e referências Amazônicas

A pegada rock and roll e o DNA profundamente paulistano da Cavalera encontra respaldo em sua origem: criada em 1995 por meio da parceria do ex-baterista da banda Sepultura, Igor Cavalera, com o diretor criativo Alberto Hiar, a marca sempre trouxe inovações em seus desfiles, chamando atenção da imprensa e do público em geral.

Neste ano não foi diferente. Com uma cara nova e mais brasileira, a marca, mais uma vez, inovou no desfile e nas novas peças. Nos bastidores do São Paulo Fashion Week, as modelos, estilistas e fotógrafos dividiam o espaço com membros da tribo Mutim, de etnia Yawanawá. O clima geralmente tenso pré-desfile deu lugar a um ritual de preparação que contagiou todo o camarim.

Sentados em um círculo para acompanhar o desfile, que trocou as passarelas pelo gramado e céu aberto, os convidados participaram de um ritual de paz com os indígenas, que utilizaram a própria voz como trilha sonora para o momento.

“A nossa intenção ao trazer os índios para São Paulo era que o público pudesse vivenciar um pouco o que vivi com os Yawanawás: seu ritual de purificação, seus cantos, suas danças.” conta Alberto Hiar. “Foi um momento muito especial para mim, para a Cavalera e para a tribo. Muitos deles nunca haviam saído da Floresta, então acho que conseguimos proporcionar uma vivência rica para eles também”, completa.

A nova coleção da Cavalera é fruto da vivência de Alberto Hiar com a tribo Yawanawá. No centro da Floresta Amazônica, Hiar passou por rituais indígenas para se desconectar completamente da vida urbana e, assim, deu início ao processo criativo da nova coleção. Ele conta que o período que passou com a tribo mudou sua maneira de ver os indígenas e marcou sua história.

“Essa viagem mudou a minha maneira de enxergar as coisas. E foi fundamental para criar a coleção de Verão da Cavalera. Trouxe de lá os elementos mais vivenciados pela tribo e que fazem parte de suas crenças, como a borboleta, a jiboia, a onça pintada, a ponta de lança, além dos desenhos da tribo, chamados Kenes, que também deram o nome e inspiraram essa coleção”, afirma.

Outro fator tipicamente cultural da tribo, a forte presença das mulheres, representadas pela cacique Mariazinha, é o ponto de contraste entre a delicadeza e leveza feminina com as características intrínsecas da marca, presentes nos calçados que seguem a pegada mais rock, com solados pesados e ares góticos.

As cores, que sempre aparecem discretamente nas coleções da Cavalera, ganham um destaque novo e surpreendente, até mesmo nos blazers e camisas masculinas, assim como os decotes profundos e as frentes-únicas em vestidos e blusas, garantindo maior sensualidade nas peças femininas. As calças leves e bem coloridas apresentam uma grande proximidade ao universo indígena e são forte tendência na coleção Verão 2016.

Imerso nessa cultura tão singular, Alberto conta que o processo criativo, sempre muito intenso, ganhou uma nova dimensão com a experiência na tribo: “nosso olhar foi para a riqueza natural, cultural e espiritual desse povo. Uma formiga criando uma trilha, os grandes cupinzeiros no alto das árvores, a fauna e a flora, os mosquiteiros e, principalmente, os kenes que são as pinturas que eles fazem com urucum e cinzas para mostrar sua força, seu signo”.

“Trazer o universo indígena para a criação é um dos momentos mais gratificantes, pois são meses mergulhado neste processo… cada dia surge uma ideia nova que podia transmitir o espírito da floresta e da tribo”, concluir Hiar.

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