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Brazilian soul

Conteudo Isobar

Conheça a história do médico gaúcho que se tornou o grande exportador da identidade brasileira para a moda global.

Se alguém te chamasse para sociedade em uma loja de casacos de frio em Búzios, RJ, você fecharia negócio?

A ideia beira o absurdo, pensaria até o empreendedor mais otimista. É difícil de acreditar, mas foi justamente desse jeito que nasceu a Osklen.

Seu grande trunfo, segundo muitos especialistas, está em exportar para o mundo o chamado Brazilian Soul e o lifestyle carioca sem estereótipos – e com forte apelo sustentável.

O grande nome por trás da marca é o gaúcho Oskar Metsavaht. Médico, surfista, snowboarder e um aventureiro por natureza, ele tinha tudo para trilhar os caminhos da medicina.

Sua vida, no entanto, o levaria para uma improvável direção, que o transformaria em um dos precursores do luxo sustentável na moda global – cuja marca seria admirada por divas como Madonna e Naomi Campbell.

Afinal, como é que um médico, sem intimidade com o universo da moda, que mal sabia desenhar, viria a se tornar o fundador de uma das mais badaladas marcas do mundo, segundo o site de tendências WGSN?

Das montanhas para a passarela

Oskar tinha 23 anos quando foi trabalhar como traumatologista do esporte em um hospital carioca. Nessa mesma época, ele foi convidado para uma expedição de escalada ao Aconcágua, na Argentina, na qual iria como o médico da turma.

Sem casaco apropriado para suportar o frio da região andina, ele criou o seu modelo. Não tinha conhecimento sobre moda nem design.

Bastou o que sabia sobre biofísica, ergonomia e alpinismo para fechar a primeira peça, que deveria suportar baixas temperaturas e ser confortável para escalada.

O casaco-piloto foi um sucesso. De quebra, ganhou um caimento über cool. Não demorou aos seus amigos pedirem por encomendas também.

Diante da demanda, que só aumentava, Oskar decidiu abrir sua primeira loja. O local escolhido foi a ensolarada Búzios, no Rio de Janeiro.

Depois de quase quebrar por duas vezes, o empresário passou a diversificar o seu leque de criações. Nasciam bermudas, biquínis e outras peças de vestuário feminino.

Aos poucos, o empreendedor conquistou seu espaço no universo da moda até estrear na SP Fashion Week, em 2003. Lentamente, Metsavaht caminhava para se tornar um dos grandes nomes da moda mundial.

O homem e a marca

Já se passaram 25 anos desde o seu surgimento e a Osklen continua conquistando espaço no mercado global – e não estamos falando isso apenas por conta das suas lojas em Roma, Milão, Nova York, Tóquio e em mais dezenas de países.

Recentemente apontado pela revista americana FastCompany como uma das cem personalidades mais inovadoras do mundo, Metsavaht foi o primeiro estilista brasileiro a aparecer em uma reportagem de página inteira da Vogue América.

Em 2012, vendeu 30% da marca para a Alpargatas, por dezenas de milhões de reais.

Em várias entrevistas, Oskar disse que o grande sucesso da Osklen está em unir o simples ao sofisticado, o tecnológico ao artesanal, em uma estética muito peculiar – e sem ostentação.

O empresário participa de todo o processo criativo das coleções. Um aficionado por imagens, ele filma e fotografa há anos, e muitas de suas inspirações começam a partir do material que ele produz – seja para uma expedição à montanha ou durante um passeio sem compromisso pela cidade.

Luxo sustentável

Não é apenas o visual que conta. Sem dúvidas, um dos pilares da Osklen – além da estética e do conforto – está na sustentabilidade. Várias de suas peças são confeccionadas com tecidos orgânicos, como lã, algodão e tricô de palha de seda.

A marca também desenvolve projetos paralelos, como o E-brigade e o E-fabrics. O primeiro promove trabalhos de educação ambiental e cria roupas a partir de materiais reciclados, além de estampas inspiradas no movimento ecológico.

O segundo permite identificar matérias-primas sustentáveis que possam ser utilizadas pela indústria têxtil. Seus principais objetivos são estimular o consumo consciente e estudar os impactos socioambientais na cadeia produtiva – em todo o processo, há a interação com as comunidades locais, pontos estratégicos de extração de matéria-prima espalhados pelo país.

De certa maneira, a veia sustentável da Osklen (que valeu a Oskar um dos 46 postos de embaixador da boa vontade da Unesco) foi apenas o caminho natural encontrado por um homem que, acima dos valores estéticos e conceituais, é um aventureiro nato.

E, para os que acreditam em destino, parece que ele não desapontou dessa vez. O sobrenome Metsavaht, de origem estoniana, significa “guardião da floresta”. Caiu como uma luva.

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