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Projetada por Lina Bo Bardi, a Casa de Vidro, em São Paulo, parece camuflar-se entre a Mata Atlântica

Famosa por seus traços modernistas e pelo projeto de um dos maiores cartões-postais da cidade, o Masp (Museu de Arte de São Paulo), a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi tornou-se figura importante da cultura latino-americana e desenvolveu projetos que contribuíram para a renovação da arquitetura brasileira.

Achilina di Enrico Bo formou-se em arquitetura na Itália e, com o marido – o jornalista e marchand italiano Pietro Maria Bardi – chegou ao Brasil em 1946, a bordo do navio cargueiro Almirante Jaceguay.

No ano seguinte, o casal, já estabelecido em São Paulo, é convidado pelo empresário e jornalista Assis Chateaubriand para ajudar na fundação o Museu de Arte de São Paulo. Lina ficou responsável pela arquitetura e Pietro, pela direção do lugar.

Em 1951, ela naturalizou-se brasileira e, no mesmo ano, encontrou na região do Morumbi, em São Paulo, um loteamento de 7 mil m2, onde finalizou seu primeiro projeto arquitetônico: a Casa de Vidro. A antiga Fazenda de Chá Muller Carioba tornou-se, então, a residência oficial de Lina e Pietro.

Ao contrário do visual robusto e imponente do Masp, o vidro escolhido para revestir toda a fachada da construção contribui para um visual leve. Graças também às estruturas metálicas, até parece flutuar sobre a Mata Atlântica, preservada com afinco até hoje, tornando-se um verdadeiro símbolo da arquitetura modernista.

Os jardins, inclusive, deixam nítido o amor do casal pela diversidade da fauna e da flora brasileiras. A área externa foi meticulosamente planejada pela própria Lina, que transformou a vegetação rasteira do terreno em “floresta particular”, com trilhas decoradas com pedras e cacos de cerâmica.

Além de marco arquitetônico, a casa rapidamente tornou-se ponto de encontro dos maiores artistas, arquitetos e intelectuais da época, tais como Max Bill, Steinberg, Gio Ponti, Aldo van Eyck e Glauber Rocha. A ampla sala de estar era palco de discussões culturais, ideológicas e sociais.

Em 1987, a Casa de Vidro foi tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), e é sede do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

Hoje, o lugar tornou-se um espaço de pesquisa e troca de ideias para pesquisadores, profissionais e estudantes do Brasil e do exterior. Junto ao acervo pessoal de Lina e Pietro – incluindo móveis, obras de arte e outros objetos.

A ideia é promover e divulgar a arquitetura, o design, o urbanismo e a arte popular brasileira e manter sempre vivos a vida e a obra do célebre casal.

As visitas são gratuitas e podem ser agendadas pelo site.

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