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Mira Schendel

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A suíça naturalizada brasileira deixou sua marca experimentalista na arte contemporânea mundial

Além de nomes como Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, as artes plásticas brasileiras receberam valiosa contribuição de Mira Schendel, desenhista, pintora e escultora que fez da experimentação sua marca registrada.

Myrrha Dagmar Dub nasceu em Zurique, na Suíça, em 1919 e, devido às Grandes Guerras, transitou entre Milão e Roma, onde estudou arte e filosofia. Em 1949, conseguiu permissão para vir morar no Brasil (em Porto Alegre), onde passou a trabalhar com pinturas, esculturas em cerâmica, design gráfico, restauro e até poemas.

Já estabelecida, em 1951, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo, o que permitiu que Mira pudesse começar a fazer parte da cena artística nacional. Dois anos depois, mudou-se para São Paulo, onde se aproximou ainda mais da cena intelectual (como Lygia Clark e Hélio Oiticica) e pôde reinventar a linguagem do modernismo da Europa no Brasil.

Na cidade, conheceu e casou-se com seu segundo marido, o livreiro alemão Knut Schendel, adotou seu sobrenome e teve seu primeiro e único filho. Nas décadas seguintes, a sua produção se manteve constante, bem como a sua relação com outros artistas, como o escultor Sérgio de Camargo.

Em geral, as obras de Mira Schendel não têm títulos, e sim as séries, que ganham espécie de apelidos, de acordo com suas características. As obras trazem consigo parte das origens da artista e sua profunda identificação com o mundo da filosofia, semiótica e das línguas estrangeiras.

A série “Bordados” é composta por mais de dois mil trabalhos criados a partir da técnica da monotipia em papel de arroz, subdivididos em “linhas”, “arquiteturas”, “letras” e “escritas” – esse último, evidenciando a sua identificação com a semiótica. Já em “Droguinhas”, Mira explora o papel de arroz em formatos diversos: amassado, torcido em nós, redes, bolas e tranças.

Em meio a exposições no Brasil e no exterior (inclusive na galeria Signals, em Londres), a artista continuou produzindo até o seu falecimento, em 1988, e deixou a sua marca na arte contemporânea nacional.

Créditos da foto de abertura: Exposição Espaço Infindável de Mira Schendel (2015) na Galeria Frente, em São Paulo / EYE4DESIGN

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