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Flash de cor

Conteudo Isobar

Série de imagens brinca com a percepção do olhar e cativa pelas cores vibrantes.

Formas liquídas supercoloridas vibram em meio à paisagem árida do norte de Nevada, EUA. Congeladas na série Colourant, elas parecem saltar aos olhos do observador e intrigam pelo aspecto criativo e inusitado. Afinal, qual foi a última vez em que você viu splashes coloridos flutuando no deserto?

Cassandra Warner e Jeremy Floto, casal de fotógrafos à frente do estúdio Floto+Warner, são os autores do projeto e contaram à Revista Estilo BB o que os motivou a criar a série.

“A Colourant remete a eventos esculturais flutuantes. Ela retrata anomalias de curtíssimo período, que ocorrem em um instante de segundo, evocando momentos que obstruem a paisagem, um grafite momentâneo no ar e no espaço”, explicam.

O casal conta que a locação foi escolhida a dedo. Depois de muitos testes, eles optaram por uma paisagem minimalista, pois, segundo a dupla, os cenários com menos elementos revelaram-se melhores para chamar atenção para o objeto fotografado. “As cores vibrantes complementam a locação”, pontuam.

Eleger o local, no entanto, não foi a parte mais difícil. “Complicado mesmo foi encontrar a técnica ideal. Tínhamos de arremessar o líquido e, ao mesmo tempo, sair do campo de visão da máquina, criando diferentes formas em cada imagem. Em vários arremessos ficamos ensopados!”

Cada momento foi fotografado em uma paisagem aberta. A dupla não seguiu à risca as regras da fotografia de paisagem. Na maioria das vezes, preferiu fotografar sob o sol do meio-dia, para ampliar a sensação de adversidade do entorno. “Usamos luz dura e optamos pelos espaços abertos para abrir espaço para as esculturas”, explicam.

As imagens, segundo eles, são como stills de uma sequência de ação ou de um experimento científico. Antes e depois de cada foto os eventos não existem; há apenas um momento no qual a figura se forma totalmente, antes de evaporar em meio à poeira do deserto.

Ao contrário do que muitos possam pensar, as imagens não receberam nenhum tratamento posterior. A velocidade de obturação utilizada foi de 1/3.200 segundos, o suficiente para congelar perfeitamente a hora do splash de cor.

“A série tem um quê de magia. Quando tiramos a foto, é definitivamente uma surpresa. Não sabíamos o que esperar, porque o olhar não captura a ação de fato. Quando você vê a foto na máquina, fica de queixo caído”, contam.

É natural entender o efeito surpresa causado pelas imagens. Mas não espere encontrar conceitos formatados. Os fotógrafos deixam a série completamente aberta a interpretações. Para eles, o projeto tem intenção de ser ambíguo e conta com o observador para criação de significados.

“Quando as pessoas veem as imagens, elas geralmente reagem com alegria ou ficam maravilhadas. Mas algumas, sem dúvida, enxergam uma mancha, um lado obscuro”, finaliza a dupla.

Agora é a sua vez de criar suas impressões. Confira as imagens a seguir e deixe-se levar pela magia de cores no deserto.

 

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