Campanha João Sebastião Bijoux - Coleção Gatonça - Em Alta (6)

Entrevista: João Sebastião

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Designer mato-grossense fala sobre sua carreira e inspirações na cultura e na natureza brasileira

João Sebastião é o designer responsável pela marca de acessórios que leva seu nome, oferecendo uma criação única e brasileira de corpo e alma. Com acessórios femininos que mesclam referências da cultura nacional, desde o folclore, passando pelo tropicalismo até chegar em arte e cultura pop, o artista aposta no uso de materiais sofisticados e tradicionais da região Centro-Oeste do Brasil.

Com uma equipe focada em desenvolver moda “Made in Brazil” e de forma completamente autoral, os acessórios já viajam o mundo, fazendo sucesso dentro e fora do País. Além disso, cada peça é fabricada respeitando o meio ambiente em todas as etapas, o que resulta em acessórios únicos produzidos à mão, fruto do trabalho de artesãos e designers.

Com diversas coleções que ilustram e contam uma história nacional, João Sebastião é, hoje, um dos principais nomes do design do Brasil. Em entrevista exclusiva à Revista Estilo BB, ele conta sua trajetória, inspirações e trabalho. Confira:

O que mais te encanta na cultura brasileira? Como isso influencia seu trabalho?

O que mais me encanta em nossa cultura é a espontaneidade do nosso povo, a criatividade com poucos recursos, o excesso de cor e de sol. Adoro arte popular, artesanato… O Brasil possui uma área continental e isso nos permite um número imenso de culturas, tradições, crenças, cores… Meu trabalho é reflexo disso!

Sou colorido, festivo, folclórico, exagerado (risos). Não tenho limites para os tamanhos maxi e adoro o figurativo de meu trabalho. Gosto de transformar essa infinidade de frutos, de pássaros, de flores e paisagens em brincos, colares e pulseiras que são representações de quem somos e de onde viemos.

O que a sua infância no Mato Grosso trouxe para suas criações?

Tudo! Morei até os 15 anos em Jauru, uma cidade muito pequena e acolhedora no oeste do estado, e cresci cercado de cerrado, pantanal, floresta amazônica… Convivi com araras, tucanos e muitas outras aves que sobrevoavam minha casa e pousavam nas copas das mangueiras, cajueiros e goiabeiras do meu quintal. Tive uma infância muito livre, feliz e criativa, e isso com toda a certeza se reflete em meu trabalho.

Gosto de me referenciar na fauna, flora e cultura popular do Brasil. Em meu trabalho procuro refletir aquilo que sou e que vivi, minhas verdades, minhas paixões. Amo minha terra e adoro expressar suas riquezas em minhas coleções.

Como é feita a escolha das novas coleções?

Tudo é muito orgânico. Eu acabo criando sobre aquilo que eu vivo, que eu gosto. Em minhas coleções trabalho com um temas geralmente tropicais, mais solares e divertidos. A escolha é sempre intuitiva e um pouco afetiva. Não consigo desconectar o lado humano do lado criador/designer.

Por que resolveu deixar a arquitetura, sua área de formação?

Na verdade eu comecei como designer de acessórios muito antes de escolher a graduação em Arquitetura e Urbanismo. Fazia bijuterias desde os 10 anos de idade, ainda em Jauru, minha terra natal. Escolhi o curso de arquitetura pois achei a grade mais interessante e consistente, e se aproximava mais do que eu buscava, que era o design de acessórios e não de moda.

Mas como bom criador adoro ambas as artes e procuro me dividir entre elas. Meu trabalho como designer de acessórios sempre terá um pouco de arquitetura e vice-versa.

Qual coleção/peça você mais gostou de criar? Por quê?

Pergunta difícil essa! Eu sempre acho que a próxima coleção é a mais legal… (risos). E isso me ajuda a não parar de criar. Desde a ideia até a confecção em si, todo o processo, me agrada e me deixa encantado. Adoro a parte inspiracional e preciso da parte técnica. A arquitetura me deixou muito técnico, me trouxe a parte concreta que às vezes falta nos criadores. E o que mais me encanta é de fato o processo completo.

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