ZAHANOVA-NOVA

Dame Zaha

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Uma dissecação dos trabalhos nada convencionais de uma das arquitetas mais tarimbadas do planeta.

Nada de linhas retas e formas usuais. Traços sinuosos, curvilíneos, dinâmicos e surpreendentes são alguns dos elementos que remetem, sem esforço algum, às obras de Dame Zaha Mohammad Hadid, mais conhecida como Zaha Hadid, uma das mais refinadas arquitetas contemporâneas.

Primeira mulher (e muçulmana) a vencer em 2004 o Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura, Zaha nasceu em Bagdá e estudou matemática na AUB, em Beirute. Depois, foi para a Architectural Association, em Londres, onde mora atualmente. Famosa pela arquitetura fluida, ela é uma das representantes mais expressivas do chamado descontrutivismo, marcado pela desfragmentação dos projetos.

Exemplos não faltam. Erguido em 2011, em Glasgow, na Escócia, o Riverside Museum tem o telhado repleto de curvas, que na fachada se transformam em pontas retas. É dela também o Maxxi, primeiro museu de arte contemporânea de Roma, construído em 2009. Outra obra é a Serpentine Slacker Gallery, concluída em 2013. No projeto em questão, a profissional desenhou as curvas que formam a extensão de um museu em Londres, construído em 1805.

Multitalentos

Injusto seria pensar em Zaha unicamente como arquiteta. Além das edificações futuristas, a profissional se dedica ao desenho, à pintura e à escultura com o mesmo empenho. Ela já declarou, inclusive, que muitas vezes seus desenhos servem de ponto de partida para várias de suas obras arquitetônicas.

Sua conexão tão evidente com a arte faz com que grande parte de seus trabalhos sejam carregados de conceito. Tanto que muitos de seus projetos nunca passaram para a 3ª dimensão, como o The Peak Club (Hong Kong, 1983) e a Cardiff Bay Opera House (Wales, 1994).

Mas isso não afeta sua importância como criadora. No topo de importantes listas de publicações do mundo todo, Zaha ganhou da “Forbes”, em 2004, o título de uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo (ficou em 69º lugar) e foi indicada pela “Time” como a “Influential Thinker” de 2010. Recentemente, o site Luxury Culture incluiu a Serpentine Gallery em sua lista de maravilhas arquitetônicas de 2013.

Objetos de desejo

Além das tintas e construções, sua criatividade a enveredou por outros caminhos. Em 2011, aceitou o convite de Karl Lagerfeld para criar o projeto cenográfico do desfile da Chanel, para a Semana de Moda de Paris. Na ocasião, as modelos desfilaram a coleção Primavera / Verão 2012 em uma passarela totalmente branca, com criaturas gigantes semelhantes a animais marinhos e corais.

Zaha criou objetos que se tornaram verdadeiros sonhos de consumo. Impossível não se deixar impressionar pela linha de superiates Unique Circles, construídos em parceira com o escritório alemão Blohm + Voss. O modelo principal, que inspirou a criação de mais cinco, mede 128 metros e é como uma nave espacial aquática, um barco colossal marcado por formas fluidas, baseadas nas formações naturais marinhas.

Diminuindo a escala das criações, estão os sapatos. A arquitetaassinou modelos para a Lacoste e Melissa. Um dos designs marcantes é o Nova, criado para a marca United Nude. Sua base é formada por ondulações prateadas sobrepostas em diferentes posições, com um salto de 16 cm.

Zaha no Brasil 

Mesmo sem muitas informações a respeito, está confirmado: o Rio de Janeiro terá a primeira obra da arquiteta no Brasil. Será um hotel, na Avenida Atlântica, que ocupará o terreno da Casa de Pedras, a última residência da avenida. Quem comanda o empreendimento é Omar Peres, empresário que atua na indústria naval e é proprietário da TV Panorama, afiliada da Rede Globo em Juiz de Fora (MG).

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