Foto PB Brasília - LC_ José Zanine Caldas e sua neta Julieta Sobral na Praça dos Três Poderes[II] - Nilson Otaviano de Lima

A Brasília de Lúcio Costa

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O arquiteto, pioneiro do modernismo, e pai de Brasília mudou os rumos da arquitetura brasileira.

Não é possível pensar a arquitetura moderna brasileira sem Lúcio Costa. Arquiteto, urbanista, pioneiro da arquitetura modernista e professor de ninguém menos que Oscar Niemeyer, Costa ficou famoso ao projetar sua mais notável obra: o Plano Piloto de Brasília.

O equívoco de pensar que Niemeyer é o responsável pelo projeto se dá por ser o arquiteto escolhido por Juscelino Kubitschek para desenvolver os edifícios. O plano da cidade, em si, é obra de Costa, que venceu o concurso lançado em 1957 para a criação da nova capital federal, com um projeto inovador e repleto de ideais modernistas.

O projeto de Brasília punha em prática os conceitos modernistas do que deveria ser uma cidade, com o automóvel no topo da hierarquia viária, para facilitar o deslocamento urbano, os blocos de edifícios afastados, em pilotis (piso térreo livre, com pilares de concreto armado) sobre grandes áreas verdes. Os pilotis, bem como os terraços-jardim que projetou, derivam da crença do mestre-artesão da necessidade de valorizar o aspecto social da arquitetura. Para ele, a simplicidade e as soluções para condições impostas pelo clima tropical são algumas características da arquitetura colonial que a ligavam à arquitetura contemporânea.

Além disso, a escala monumental dos edifícios governamentais indica diretrizes no projeto que remetem a trabalhos de Le Corbusier na década de 1920.

Lúcio Costa formou-se arquiteto na Escola Nacional de Belas Artes – a Enba – no Rio de Janeiro em 1924. Nos primeiros anos de sua carreira, o arquiteto projetou obras orientadas predominantemente pelo estilo neoclássico, influência de sua formação.

No entanto, foi seu crescente interesse no trabalho do franco-suíço Le Corbusier, uma viagem a Diamantina (onde teve contato com a simplicidade da arquitetura colonial) e depois de conhecer a Casa Modernista (a primeira residência considerada moderna no Brasil), de Gregory Warchavchik, que Costa rompeu com o neoclassicismo e neocolonialismo para abraçar a arquitetura moderna.

Em 1930, foi convocado pelo governo Vargas para reestruturar o ensino na Enba. Seu papel nesse projeto é considerado fundamental para a eclosão e consolidação da arquitetura moderna brasileira, determinando novos rumos e estabelecendo critérios, que estruturaram o movimento moderno no país.

Nessa mesma época, foi professor de Niemeyer, que contribuiu com seu mestre em diversos outros projetos. Entre eles, a obra do Ministério da Educação e Saúde (em 1936) e o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova Iorque (em 1939). Além, é claro, do já mencionado projeto que incluiu Brasília no mapa nacional, em 21 de abril de 1960.

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