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Trinta anos de Legião

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A banda de rock que encantou gerações de brasileiros

Renato Russo é considerado “insubstituível”, seja pelos ex-companheiros de banda, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, seja pelos entusiastas da Legião Urbana. Não há chances de uma volta, isso já foi deixado bem claro, mesmo em meio às atuais e mais do que justas homenagens por conta dos 30 anos do primeiro trabalho do grupo, lançado em 1985.

Dado e Bonfá estão em turnê comemorativa pelo Brasil desde novembro. Afinal, canções do disco Legião Urbana (entre elas, Será, Ainda é cedo, Geração Coca-Cola e Por enquanto) mantiveram-se acesas por gerações de brasileiros. As letras, escritas nos anos 1980, jamais envelheceram com o tempo. Soam até demasiadamente atuais, três décadas depois.

A turnê “Legião Urbana XXX Anos” desembarcou, há pouco mais de 10 dias, em Brasília, lugar onde tudo começou, para apresentação de cerca de duas horas. Com o ator e cantor André Frateschi (a quem coube a missão de substituir Renato Russo), o guitarrista Lucas Vasconcellos, o baixista Mauro Berman e o tecladista Roberto Pollo, além de Bonfá e Dado em palco, a Legião Urbana revisitou, de alguma forma, a própria história.

O show foi elogiado pela crítica local. O jornalista Marcos Pinheiro, do site Cult 22, destacou o “bis” como ponto alto da apresentação, quando foi executada Faroeste Caboclo, um dos sucessos do grupo que têm como cenário Brasília.

CENÁRIO DE INSPIRAÇÃO

Foi na capital federal que Renato Russo passou a adolescência, momento um tanto conturbado e de muitas descobertas. A dedicação à música levou-o a conhecer The Beatles, The Rolling Stones, The Smiths, The Cure, Joy Division, Sex Pistols e tantas outras lendas do rock. Começava ali o que viria a se tornar a maior banda brasileira do gênero.

Depois de deixar o Aborto Elétrico, primeiro grupo do qual Renato Russo fez parte em Brasília, ele juntou-se a Dado e Bonfá para formar a Legião, em 1982. Renato Rocha, o quarto integrante, falecido em 2015, entraria na banda apenas em 1984.

Ao todo, com Renato Russo à frente da Legião, foram lançados oito álbuns: Legião Urbana (1985), Dois (1986), Que país é esse? (1987), As quatro estações (1989), V (1991), Música para acampamentos (1992), O descobrimento do Brasil (1993) e A tempestade (1996).

Além desses, o grupo tem outros nove discos, incluindo cinco ao vivo, todos lançados posteriormente à morte do cantor. São eles: Uma outra estação (1997), Mais do mesmo (1998), Acústico MTV (1999), Como é que se diz eu te amo (2001), As quatros estações ao vivo (2004), Renato Russo – Uma celebração (2006), Legião Urbana e Paralamas juntos (2009), Perfil (2011) e Legião Urbana 30 anos (2015).

Um dos maiores sucessos da banda, Que país é esse? consagrou-se como hit, muitas vezes entoado pelos fãs, durante os shows, contra autoridades de diferentes esferas do poder público, como forma de contestar eventuais ilegalidades praticadas por eles. A faixa eternizou-se entre as mais populares do rock nacional, tocada por diferentes artistas.

Renato Russo morreu em 1996, no Rio de Janeiro, local onde nasceu. Enquanto durou, estima-se que a Legião Urbana tenha vendido mais de 20 milhões de cópias, números que não pararam de crescer mesmo após a morte do compositor.

O legado da banda, todavia, permanece. O tom reformador e progressista presente nas letras das canções da Legião Urbana ajuda a compreender transformações pelas quais passou e ainda passa a sociedade brasileira.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã mais uma vez, eu sei”. É o que diria Renato Russo, sobre se ter esperança em dias melhores.

PRÓXIMOS SHOWS

A turnê “Legião Urbana XXX Anos” ainda cumpre agenda em todo o Brasil: na sexta-feira, o grupo se apresenta na Arena Eventos, em Aracaju (SE); no sábado, o estacionamento do Parque Shopping Maceió recebe Dado, Bonfá e companhia. O giro pelo Nordeste segue com shows em João Pessoa (25), em Recife (27) e em Crato (28), no Ceará.

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