Fernando Alves Pinto, protagonista do longa-metragem São Silvestre | Crédito: Divulgação

São Silvestre

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Longa-metragem de Lina Chamie traz às telas toda a emoção da corrida mais famosa do Brasil.

Tida como a mais famosa da América do Sul, a tradicional corrida de São Silvestre acontece em São Paulo há 90 anos. Tudo começou com o jornalista Cásper Líbero, que se inspirou numa corrida noturna francesa e, em 1924, a São Silvestre acontecia à meia-noite do dia 31 de dezembro. Eram duas festas ao mesmo tempo.

Desde então, a corrida sofreu algumas alterações, mas só ganhou mais prestígio: hoje a prova é disputada por mais de 20 mil atletas (homens e mulheres) do mundo inteiro e, apesar de não acontecer mais à meia-noite, e sim no período da tarde, a São Silvestre continua sendo um símbolo da cidade, carregada de energia e outros sentimentos difíceis de explicar.

Vizinha da Fundação Casper Líbero, na Avenida Paulista, a cineasta Lina Chamie costumava ouvir e sentir a movimentação da corrida de seu apartamento. Até que em 2008 resolveu descer para ver de perto. “Fiquei vendo as pessoas chegarem, e é sempre um momento muito emocionante”, conta. “Fiquei muito comovida e foi aí que caiu a ficha: ninguém nunca tinha filmado a São Silvestre!”, lembra.

Mesmo sem ter todos os recursos para as filmagens, em 2011, Lina filmou algumas entrevistas para tentar entender a relação do evento com o cinema, testar câmeras, o ponto de vista do corredor, as passadas etc. O material deu origem a um curta de 18 minutos, que foi para o festival “É Tudo Verdade”. “Eu ficava ouvindo as pessoas, tentando a descrição de uma emoção. Todos diziam: ‘Inexplicável’. Então, pensei: o filme tem que ser sensorial. O que importa é essa emoção”, conta.  

Traduzir as sensações dos atletas para as câmeras não foi tarefa fácil. Foram necessárias 17 câmeras (distribuídas nas cabeças, nos braços e pernas dos atletas) uma bicicleta com quatro câmeras e uma câmera voltada para o rosto do ator Fernando Alves Pinto, entre outros aparatos inventados para fazer as imagens sem perder a delicadeza dos detalhes da prova.

Fernando, aliás, é um dos maiores responsáveis pelo êxito do projeto, e aceitou participar do filme sem nunca ter corrido uma maratona antes. “O papel de atleta não é uma coisa que eu faria naturalmente”, afirma. O processo de treinamento para a corrida durou um ano. “Acho que a minha preparação é que foi o papel. Eu vivi o personagem o ano inteiro”, acredita.

Ele completou o percurso em 1h40, o que é considerado um recorde para um iniciante que precisou correr carregando cerca de cinco quilos de equipamentos de filmagem. “Quase desisti mais para o final da São Silvestre, ali na subida da (avenida) Brigadeiro. Mas andei um pouco, vi que tinha muita gente atrás de mim. E aí fui em frente”, revela.

Junto às emoções retratadas no rosto de Fernando e dos demais participantes, estão outras duas protagonistas do filme: a cidade de São Paulo e a trilha sonora. “O som da batida dos pés no chão se mistura com a batida do coração”, explica Lina. Para as cenas do nascer do sol, a “Primeira Sinfonia”, de Mahler. Quando o filme mostra o Teatro Municipal, a ópera “Sansão e Dalila”. Para a chegada da corrida, Scriabin, o “Poema do Êxtase”. “A redenção vem de uma viagem árdua do corredor”, finaliza a diretora.

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao filme no cinema, São Silvestre está disponível em DVD e inclui também o curta-metragem filmado antes do longa, e pode ser encontrado nas livrarias da Vila e Cultura e nas lojas dos cinemas Reserva Cultural e Caixa Belas Artes. Moradores de outras cidades podem consultar o site da distribuidora do filme.

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