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Oscar revisitado

Conteudo Isobar

Quem são os indicados a melhor filme – e por que eles figuram nessa lista.

Está chegando a premiação mais esperada e ambígua da história do cinema, tanto pela aclamação quanto pelas críticas calorosas. Se o verniz indie acompanha outras celebrações do meio cinematográfico – caso de Cannes, Festival de Berlim e Sundance – o Oscar é, sem sombra de dúvidas, o reconhecimento mais mainstream do cinema.

Isso não quer dizer, contudo, que anualmente estejam ali os melhores filmes.anos em que as escolhas, de fato, são bem fracas. Não é o caso da edição 2014, que acontece no próximo dia 2 de março: a concorrência está acirradíssima, tamanha é a quantidade de longas-metragens excepcionais e maiúsculos que concorrem na categoria mais renomada, a de Melhor Filme – e, por consequência, em outras categorias subsequentes e não menos importantes.

Quer saber um pouco sobre cada um dos indicados a Melhor Filme, relação de favoritismo e qualidade? Vamos lá.

12 Anos de Escravidão

Avaliação: ★ ★ ★ ★

Doloroso e necessário talvez sejam os epítetos para classificar “12 Anos de Escravidão”, já que se trata de uma tentativa de redenção a um dos capítulos mais sombrios da história da humanidade. É tido como um dos filmes do ano e está indicado para uma dezena de estatuetas. Faz o retrato da história (real) de Solomon Northup, interpretado por Chiwetel Ejiofor (também indicado a Melhor Ator), homem livre que é sequestrado e tornado escravo durante mais de uma década. É um ótimo filme, mas, nesta disputa de pelo menos três longas grandiosos, é só mais um (e talvez não seja o melhor). De todo o modo, ganhou vários prêmios de críticos e é um dos favoritos a vencer. O Oscar tem uma postura dúbia em relação às mazelas da história: gosta de fazer justiça (“A Lista de Schindler”, em 1993, que fala sobre o holocausto judeu), mas também já fez vista grossa recentemente (caso de “A hora mais escura” no ano passado, que conta a história de torturas durante a caçada de Osama Bin Laden). É, então, a grande dúvida neste ano.

O Lobo de Wall Street

Avaliação: ★ ★ ★ ★ ★

Filme glorioso de Martin Scorsese (indicado a Melhor Diretor), “O Lobo de Wall Street” é um dos melhores longas dos últimos anos e tem tudo para virar um clássico do cinema – embora muitos críticos tenham torcido o nariz devido à completa falta de pudores da película. Conta com atuações magistrais de Leonardo DiCaprio (Melhor Ator) e Jonah Hill (Melhor Ator Coadjuvante), também fortíssimos candidatos à estatueta – Leo já faturou o Globo de Ouro pelo papel de Jordan Belfort. É um dos candidatos supremos – já que, no caso do Oscar de Melhor Filme, os favoritos costumam ser indicados a melhor roteiro também (neste caso, está indicado a Melhor Roteiro Adaptado) – mesmo com o conservadorismo da Academia. Leia a resenha da Revista Estilo BB sobre “O Lobo de Wall Street”.

 

Clube de Compras Dallas

Avaliação: ★ ★ ★ ★ ★

Outro desafio ao tradicional establishment da premiação. Com inenarráveis atuações de Matthew McConaughey (indicado a Melhor Ator) Jared Leto (também figura na lista de Melhor Ator Coadjuvante), “Clube de Compras Dallas” é brilhante ao mostrar os dramas sociais – e médicos – dos portadores do vírus HIV na primeira metade da década de 1980 nos Estados Unidos. McConaughey desconstrói com lenta e deliciosa maestria o estereótipo do caubói machão e homofóbico ao enveredar, sutilmente, em uma improvável, bonita e delicada amizade com a travesti interpretada por Leto.

Trapaça

Avaliação: ★ ★ ★

Queridinho da crítica, quase uma unanimidade, surpreendeu ao ganhar três Globos de Ouro e os quatro atores (principais e coadjuvantes), todos oriundos da nova safra talentosa de Hollywood, foram indicados ao Oscar. Mostra a trajetória de dois golpistas com subtramas e personagens paralelos. É um bom filme, embora seja uma versão anêmica e sem a coragem de “O Lobo de Wall Street”. Ainda assim (e talvez por isso mesmo), é o favorito para levar a estatueta.

Nebraska

Avaliação: ★ ★ ★ ★

Junto com “Ela”, é o mais indie da seleção: um velhinho à beira do mal de Alzheimer em um road movie com o filho, tudo em preto e branco e numa jornada carregada de humor rabugento, amor, velhice, falsas amizades e família. É um filme que versa, principalmente, sobre a pureza de coração e a ingenuidade, a sorte e o azar como fios condutores do destino das pessoas. As atuações estão magnânimas e o filme tem seis indicações no total – mas não é um dos favoritos para levar a estatueta.

Gravidade

Avaliação: ★ ★ ★

Sandra Bullock e George Clooney são dois astronautas que se perdem no Espaço Sideral depois de uma chuva de meteoros em um filme bem tramado, porém inverossímil cientificamente falando (veja esse artigo no “Washington Post”, em inglês). Você pode dizer que é justamente a isso que damos o nome de ficção científica, então tudo bem. Junto com Capitão Phillips, é o filme-pipoca dentre todos os outros e, justamente pelo seu viés de blockbuster eletrizante que cativa tanto gregos quanto troianos, pode ganhar.

Ela 

Avaliação: ★ ★ ★ ★

Os ventos da crítica sopram a favor de “Ela”, longa-metragem de Spike Jonze sobre o relacionamento amoroso entre um homem (Joaquim Phoenix) e seu sistema operacional (na voz de Scarlett Johansson). Venceu duas premiações importantes do meio cinematográfico antes do Oscar (National Board of Review e Los Angeles Film Critics Association. Filme independente e reflexivo, a ponto de nos projetar para um futuro não tão distante, no qual o vazio existencial pode ser preenchido com a inteligência artificial. Embora o diretor Spike Jonze tenha boa reputação no meio cinematográfico, será a grande surpresa caso ganhe.

Capitão Phillips

Avaliação: ★ ★ ★

Tom Hanks vive o capitão Richard Phillips, cujo cargueiro é raptado por piratas somalianos. O filme é baseado em uma história real ocorrida em 2009. Embora seja bem montado e bem dirigido, dá prioridade ao ufanismo americano em detrimento do suspense psicológico e da tensão sobre a experiência. Vale a espiada, mesmo assim – se ganhar o Oscar, entretanto, será uma surpresa (e uma injustiça em relação aos concorrentes de altíssimo calibre).

Philomena 

Avaliação: ★ ★ ★ ★

Um jornalista ajuda uma senhora na busca pelo filho perdido, que foi entregue para adoção à revelia da vontade materna por freiras, em um momento de práticas bastante questionáveis da Igreja Católica em 1952. Para reencontrá-lo 50 anos depois, Philomena Lee (a excelente veterana Judi Dench, indicada ao Oscar de Melhor Atriz) vai aos Estados Unidos junto com o jornalista Martin Sixsmith (Steve Coogan), onde parte do filme (e das revelações) se desenrolam. Baseado em fatos reais – e imperdível.

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