Instalação de Michael Sailstorfer | Crédito: James Ewing / Divulgação

Os novos ready-mades

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Em cartaz no CCBB a partir de 23 de agosto, a mostra Ciclo reúne obras feitas a partir de materiais industrializados.

Quando Marcel Duchamp lançou a “Fonte” (1917) – o seu primeiro ready-made – um urinol invertido de porcelana, ele chacoalhou o universo da arte. Com a atitude, o artista não apenas confrontou os estilos de arte da época, como também decretou experimentalismo total e instituiu o ato de recriar em cima de obras já existentes.

Duchamp expandiu os horizontes da arte contemporânea, a partir da ressignificação dos materiais, subvertendo sentidos e reinventando a maneira de ver as coisas. É justamente esse o fio condutor da mostra Ciclo, que ocupará o Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo.

Foram dois anos de pesquisa até chegar aos 14 artistas eleitos para a exposição. Renomados representantes internacionais, como o chinês Song Dong e a portuguesa Joana Vasconcelos, dividem o espaço com nomes em ascensão, como a uruguaia Julia Castagno e o italiano Lorenzo Durantini.

As obras expostas propõem a reinvenção do conceito criado por Duchamp e fazem uma ponte entre o momento da fundação da arte contemporânea e a sua transformação até o atual momento.

“Procuramos por trabalhos que criam o novo sem inventar mais coisas; que partem daquilo que já está, que já existe”, explica o curador Marcello Dantas.

Por meio de técnicas inusitadas, as obras exploram uma infinidade de materiais, que vão desde câmaras de pneus a palitos de dente, dejetos eletrônicos, armas, doces, veículos e até mesmo lixo.

Duas etapas

A exposição se subdivide em dois blocos, que serão inaugurados em datas distintas.

O primeiro – e maior – pode ser visitado a partir de 23 de agosto e é formado por instalações e esculturas que ocupam cerca de 1.000 m².

O segundo abre apenas no dia 7 de setembro e reúne três obras especiais. Uma delas é a intervenção externa do alemão Michael Sailstorfer, que recobre a fachada do prédio com câmaras de pneu entrelaçadas; outra, o gigantesco autorretrato do canadense Douglas Coupland – intitulado “Gumhead” – sobre o qual o público é convidado a colar chicletes mascados.

A terceira é a performance organizada por Song Dong, por meio da qual o espectador é convidado a devorar a cidade de São Paulo, reconstruída sob a forma de uma gigantesca maquete de doces.

Segundo Marcos Mantoan, diretor do CCBB São Paulo, “esses trabalhos contribuem com a continuidade da proposta de expansão da instituição para o seu entorno, integrando o CCBB ao espaço público do centro paulistano”.

Se você é daqueles que não perde uma boa mostra de arte, não pode deixar de conferir a exposição (veja mais detalhes aqui), que fica em cartaz até 27 de outubro. Anote a data na agenda e deixe-se levar pelas influências artísticas de uma cidade que inspira e respira criatividade.

A Ciclos tem apoio cultural do Goethe Institut e patrocínio do Banco do Brasil.

Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651

* A foto que abre essa matéria mostra a instalação de Michael Sailstorfer, no Central Park, em Nova York | Crédito: Divulgação

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