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A Revista Estilo BB conta a trajetória do árbitro de futebol Sandro Meira Ricci da infância até chegar à FIFA.

Figura indispensável em partidas de futebol, mas que nem sempre tem o devido reconhecimento, o árbitro é quem dita as regras do jogo e, por vezes, acaba criando inimizades com torcidas e jogadores. Nada que Sandro Meira Ricci não tenha vivenciado durante sua carreira no futebol.

Apitando partidas desde 2003, Ricci não se deixa abalar. “Durante sua carreira, o árbitro precisa desenvolver suas valências em 4 pilares: físico, técnico, social e mental. O árbitro que consegue isso não se incomoda com ofensas nem pressões de quem quer que seja”, afirma.

Embora seja um apaixonado pelo futebol desde a infância, ser árbitro nunca foi exatamente o sonho de Sandro. “Como toda criança, amava jogar futebol e praticar esportes. A arbitragem surgiu na minha vida como forma de ocupar meu tempo ocioso enquanto aguardava nomeação para concurso público”, lembra.

Seu início no mundo da arbitragem começou em 2003, aos 29 anos, ao ingressar na Federação Estadual de Futebol de Brasília. “Durante o curso, o candidato é submetido a avaliações teóricas e físicas. Depois de aprovado, o árbitro passa a atuar em competições amadoras tanto pela Federação como pelo Sindicato local”, explica.

De acordo com o seu desempenho, o árbitro passa a apitar jogos com mais relevância, de federações municipais, passando pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), podendo até ser indicado ao quadro de árbitros da FIFA.

E foi essa a trajetória de Sandro, que, depois de atuar em jogos nacionais importantes, como finais do Campeonato Brasileiro, chegou ao Mundial de Clubes no posto de árbitro da FIFA e participou do Mundial de Clubes, em 2013, e da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Mesmo com toda a qualificação e os certificados para o exercício da profissão, os árbitros não estão livres de erros, e por isso Sandro é a favor da utilização da tecnologia para garantir a precisão da arbitragem em momentos de impasse.

“Na última Copa do Mundo realizada no Brasil, a ‘tecnologia da linha do gol’ [GLT, em inglês] permitiu que o trio de arbitragem brasileiro validasse um gol legal da França contra Honduras, o que seria humanamente impossível a olho nu”, conta. “Portanto, eu, mais do que ninguém, tenho razões de sobra para ser favorável ao uso da tecnologia para auxiliar a correta decisão da arbitragem.”

Tecnologias à parte, o entrosamento entre o time de árbitro e auxiliares é mais do que necessário. “Eu acredito que não existe a possibilidade de realizar um bom trabalho sem uma boa equipe. Para que a avaliação do serviço prestado seja positiva, é necessário que todos os membros da equipe de arbitragem tenham um bom desempenho”, afirma.

“Na última Copa do Mundo, estive auxiliado pelos assistentes Emerson de Carvalho e Marcelo Van Gasse, que realizaram um trabalho espetacular e, com isso, contribuíram muito para a avaliação positiva das nossas atuações durante o evento”, afirma Ricci.

Embora ainda não tenha realizado um de seus sonhos, que é apitar a final de uma Copa do Mundo, Sandro tem momentos marcantes para relembrar. “Todo árbitro sonha com a final de uma competição. O jogo que ficou na minha memória foi a final do Mundial de Clubes de 2013, entre Bayern de Munique e Raja Casablanca. E o jogo que gostaria de apitar é a final de uma Copa do Mundo.”

Com boa parte de sua vida dedicada ao esporte, Sandro defende o amor ao futebol – e não a um time específico. “A maioria dos árbitros teve um time de coração – até porque, para ser um bom árbitro, é preciso gostar, entender e, se possível, ter jogado futebol. Acontece que a paixão de torcedor é substituída pela de árbitro assim que iniciamos nossa carreira.”

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