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O Universo de Calma

Conteudo Isobar

Obras do artista paulistano Stephan Doitschinoff (conhecido como Calma) dão novo significado a símbolos religiosos e místicos e chegam até Nova Iorque.

Stephan Doitschinoff nasceu em São Paulo, em 1977, e viveu sob influência da religião (seu pai é pastor evangélico) e da cultura urbana do skate e do punk rock. Autodidata, começou a produzir obras de arte com uma linguagem única, que combina religiões, folclore brasileiro e simbolismo pagão.

A sua obra aparece em diferentes formatos, que vão desde pintura, instalações em museus, arte pública, vídeo, música e até performances. Apesar do visual impregnado de referências religiosas ou esotéricas, em todos esses contextos, é possível observar o caráter semiótico do trabalho, produzido sob um processo de apropriação de estrutura e ressignificação.

Mesmo utilizando como suporte algumas manifestações básicas da religião (templos, altares, procissões e personagens que representam as divindades), Stephan não trabalha com dogmas. Todo o conteúdo da sua obra é formado por questionamentos que promovem a reflexão e a crítica, não necessariamente relacionados à religião.

Apesar de ter entrado no circuito das artes plásticas paulistanas, no início dos anos 2000, com o nome de Calma (que serve tanto como sinônimo de serenidade quanto para a contração de “Com Alma”), foi em 2009 que ele garantiria seu lugar em todo o Brasil e também em exposições internacionais (e foi indicado como Artista Revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte). Na ocasião, inspirado pelas crenças e histórias dos moradores de Lençóis, no interior da Bahia, Stephan desenvolveu um projeto artístico audacioso.

Durante os três anos em que viveu lá, criou intervenções nas casas de famílias de várias comunidades, também pintando uma capela e túmulos no cemitério. Essas experiências, que colocaram a cidade na rota nacional da história da arte alternativa, estão registradas no livro Calma – The Art of Stephan Doitschinoff  e no documentário Temporal (ambos lançados em 2008).

Algumas das obras trazem também a inscrição CRAS, referente ao comportamento de procrastinação, além de outros símbolos relacionados à expressão do latim “memento mori”, ou ”lembre-se de que vai morrer” – e que também deu nome ao seu segundo livro, lançado em 2012.

“Talvez o sintoma mais claro do nosso tempo seja a procrastinação. Essa estranha ideia de que o futuro se resolverá… no futuro”, acredita Stephan. “Compreensível. A dimensão do problema é tanta que naturalmente preferimos lidar com tarefas mais à mão. É como se nós tivéssemos ‘orgulho de fazer a nossa parte’ enquanto arrumamos as gavetas e lavamos a louça – dentro de uma casa em chamas”, explica.

Em setembro deste ano, a sua mais recente exposição individual chegou a Nova Iorque. Nomeada “3 Planets Lifestyle”, a mostra aconteceu na galeria Jonathan Levine e trouxe obras inéditas, como pinturas em grande e médio formatos, desenhos, gravuras, objetos, instalação multimídia – além de uma parada de rua pelos arredores do Highline e do bairro de Chelsea.

O título da exposição é inspirado nas considerações do criador da revista Adbusters, Kalle Lasn. O escritor, documentarista e ativista estoniano acredita na ideia de que, caso a Terra seja extinta, haverá outros tantos planetas para suprir as nossas necessidades.

Confira na galeria alguns trabalhos do artista e saiba mais sobre a sua obra no site.

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