O Que Os Homens Falam - L.Tosar -R.Darin2 Una pistola en cada mano

O que os homens falam

Conteudo Isobar

Afinal, o quê? Com título brasileiro sugestivo, filme espanhol mostra, em ritmo humorístico, as facetas do universo masculino.

Durante todo o século 20, construiu-se o mito (fundamentalmente heterossexual, diga-se) de que homem que é homem quase não fala, sobretudo quando é para falar do estado emocional. Esse clichê, que ronda o inconsciente coletivo há muitas décadas, é desconstruído no filme espanhol “O que os homens falam” – no qual eles se expressam, sim. Até demais.

Depura-se muito mais do título original, na realidade: “Una pistola en cada mano” (que, em tradução livre, significa “uma pistola em cada mão”) é uma expressão idiomática e metafórica que alude ao fato de que o sexo masculino não hesita em “atirar” quando o assunto é sexo, agindo mais em consequência do instinto do que da razão. E, como tudo na vida, isso traz consequências.

Não espere, contudo, nada pirotécnico: o filme é baseado em apreensões cotidianas, aquelas de rotina e de histórias que vivemos ou das quais se ouve falar por aí. São oito homens protagonizando shortcuts – qualquer semelhança com o longa que leva esse nome não é mera coincidência, já que o formato fílmico é similar – em que fraquezas, crises e tragédias pessoais são discutidas à exaustão, mas sem recair na chatice. Os diálogos são ágeis, inteligentes e bastante plausíveis.

Caso da história vivida por Ricardo Darín e Luis Tosar, quando o personagem interpretado pelo primeiro encontra um conhecido ao sentar em um banco de praça para entender o porquê, exatamente, de a mulher dele estar no prédio em frente com o amante.

Ou mesmo no conto em que Eduardo Noriega protagoniza o papel de um jornalista que, mesmo casado e recentemente tornado pai, convida uma colega para sair – e recebe uma proposta intrigante.

Seja no silêncio absoluto ou nos diálogos verborrágicos, no filme escrito e dirigido por Cesc Gay, os homens têm muito a dizer – fugindo pela tangente do chavão sexista. Aqui, o homem é apresentado como um temerário da solidão, como um despreparado para lidar com o sexo oposto e com desequilíbrios familiares, profissionais e sociais. Um ser humano como todos, na essência.

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