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O Brasil de Cascudo

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Historiador Câmara Cascudo é um dos principais nomes do estudo do folclore brasileiro

“Sabe como surgiu o Dicionário do Folclore? Era inicialmente um simples caderninho de notas para facilitar o meu trabalho. Foi crescendo tanto que quando me apercebi já estava com um trabalho pronto”, contou Luís da Câmara Cascudo em entrevista à revista Manchete, em 1967.

Historiador brasileiro nascido em 30 de dezembro de 1898, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, Câmara Cascudo dedicou sua vida a estudar a cultura nacional. Ao todo, publicou mais de 2500 artigos de jornal, além de mais de 200 em revistas e algumas dezenas de livros.

Formado em Direito, Câmara Cascudo trabalhou no jornal “A Imprensa” e “A República”, foi professor de História do Brasil no Rio Grande do Norte e um dos mais importantes folcloristas do País. O “Dicionário de Folclore Brasileiro”, um dos principais livros sobre o assunto, contém uma síntese das superstições, mitos, lendas, danças, comidas e bebidas tradicionais e indumentárias, todos na forma de verbetes em ordem alfabética.

Foram 10 anos de pesquisa para lançar o dicionário,  que, somado ao conjunto da obra, renderam diversos prêmios ao historiador, incluindo o Grande Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e outras premiações em Lisboa, Roma, Madrid e Nova York, por exemplo.

Após o falecimento de Câmara Cascudo (1986) e de sua esposa, Dáhlia (1997), a filha Anna Maria Cascudo restaurou a casa dos pais e a abriu ao público em 2010, abrigando o LUDOVICUS – Instituto Câmara Cascudo, o que colaborou para manter vivos os conhecimentos do mestre potiguar.

Na casa, o visitante tem acesso a 10 coleções museológicas, acervo bibliográfico e documental do folclorista, além de exposições temporárias. A casa conta, também, com o pavilhão Dáhlia Freire Cascudo, em homenagem à esposa de Luís, que abriga todo o acervo de Cascudo e ainda funciona como um espaço cultural com a realização de diversos eventos.

A última publicação do escritor, “História do Rio Grande do Norte”, é uma extensa pesquisa sobre sua terra natal, da qual Cascudo jamais se afastou. Ao todo, as publicações do autor somam mais de 150 volumes divididos em diversas esferas do saber – ainda que a etnográfica e a folclórica sejam as mais conhecidas.

Seus estudos atravessam o tempo e o espaço, chegando, agora, a uma exposição no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. A mostra “O tempo e eu e vc”, que ficará em cartaz até fevereiro de 2016, visa aproximar o historiador da cultura brasileira com a população.

A exposição é divida por módulos para dar conta das diversas temáticas presentes na obra de Cascudo, desde a gastronomia, passando pelas danças e pelo folclore do Brasil, buscando criar um ambiente lúdico que possibilite um passeio pelas descobertas e pensamento do historiador.

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