11)AntiNelson_Juliana Teixeira_Joaquim Lopes_Yasmin Gomlevsky_ Joaquim Lopes_Tonico Pereira_PapricaForografia

Nelson do Contra

Conteudo Isobar

Peça Anti-Nelson Rodrigues é remontada pela primeira vez em 40 anos e entra em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro.

Famoso por suas tragédias encenadas (Vestido de Noiva, Anjo Negro ou A Falecida, por exemplo), o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) surpreendeu a todos com uma história de final feliz – para muitos, o final é na verdade autoirônico. Daí o nome: Anti-Nelson Rodrigues.

Em 1974, a décima sexta peça de Nelson foi estrelada por Paulo César Pereio e José Wilker, entre outros, e trouxe uma leveza incomum à sua obra. No entanto, não perdeu suas características realistas, ácidas e irônicas que o tornaram um dos maiores dramaturgos do Brasil.

Quarenta anos depois do sucesso, o espetáculo é remontado pela primeira vez e entra em cartaz no CCBB do Rio de Janeiro, com direção de Bruce Gomlevsky e elenco formado por Tonico Pereira, Yasmin Gomlevsky, Joaquim Lopes, Juliana Teixeira, Rogério Freitas, Carla Cristina e Gustavo Damasceno.

“A peça, apesar da leveza, continua abrigando o retrato da sordidez humana que nunca deixa de existir na obra de Nelson, sempre universal”, afirma Gomlevsky, que dirige uma peça do autor carioca pela primeira vez.

Na história, Oswaldinho é um rapaz rico, cínico e mulherengo, mimado pela mãe, Tereza, e desprezado pelo pai, Gastão. Já a suburbana Joice é firme, decidida e o centro da vida do pai viúvo, Salim Simão – um verdadeiro “personagem de Nelson Rodrigues”.  Acostumado a ter tudo o que quer, Oswaldinho tenta comprar Joice, que não abre mão de seus princípios nem se deixa seduzir por poder ou dinheiro.

Também estão lá a carpintaria sofisticadamente simples, a organicidade da trama, as frases de efeito e os temas mais caros ao dramaturgo: o canalha e sua redenção, o erotismo familiar e os desejos sufocados pela mediocridade da vida.

“Nelson é um especialista em relações humanas”, aponta Bruce Gomlevsky. “Há uma tendência a levar ao palco um Nelson operístico, expressionista. Quero levar essa linha mais realista, combinando com a proximidade da cena com o público, que é a marca o Teatro III do CCBB”.

A peça fica em cartaz no CCBB Rio de Janeiro até o dia 31 de maio, de quarta a domingo às 19h30. Para saber mais, clique aqui.

 

Mais Matérias