Emoção, contenção musical e elementos eletrônicos eram marcas do grupo inglês

Melancolia revolucionária

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Há 40 anos, nascia o mito Joy Division na Inglaterra

Quase que ao mesmo tempo da explosão punk no mundo, final dos anos 1970, um novo movimento tomava forma na Inglaterra. Era uma quieta e emotiva tempestade a se formar, mas que teria impacto determinante no cenário independente da década seguinte. À frente dessa ascensão musical alternativa e também na contra mão da energia e da raiva protagonizadas pelos maiores grupos da época, a banda Joy Division abusou do humor, da expressão e de elementos revolucionários em suas composições.

Tudo começou em Manchester, 40 anos atrás. Foi logo depois de uma apresentação dos lendários Sex Pistols na cidade industrial inglesa, em 1976, que Bernard Albrecht e Peter Hook decidiram compor uma banda. De certo, não imaginavam, à época, que alterariam o curso da história da música. Se a postura punk chocou o mundo, a contenção sonora aliada aos toques eletrônicos que se seguiu nos derradeiros anos da década de 1970 é sentida e explorada até os dias de hoje.

Inicialmente, o grupo pioneiro do pós-punk era conhecido como Warsaw, uma referência à canção Warszawa, do compositor David Bowie. À guitarra de Albrecht e ao baixo de Hook juntaram-se a bateria de Stephen Morris e a voz do melancólico Ian Curtis. Já sob o nome Joy Division, o álbum de estreia, intitulado Unknown Pleasures e gravado em 1979, causou extremo alvoroço na cena musical britânica.

A utilização de elementos eletrônicos – um tabu para os roqueiros setentistas – foi incorporada nos chamados sintetizadores (teclados que se utilizam da manipulação direta de correntes elétricas). Albrecht e Hook até que preferiam a pegada mais punk, presente nos EPs iniciais da banda, mas a novidade atingiu Curtis em cheio. Os efeitos diferenciados acabaram por se tornar marca registrada. O primeiro single de Joy Division, Transmission, foi lançado em novembro de 1979.

A depressão devido ao fim de seu casamento e as constantes crises de epilepsia levaram Curtis ao suicídio, em 18 de maio de 1980, dois dias antes de embarcar rumo à primeira turnê nos Estados Unidos. Todos haviam concordado que a banda não mais existiria caso qualquer um dos membros a deixasse, mas os sucessos póstumos do single antológico Love Will Tear Us Apart e do segundo e último disco, Closer, garantiram Joy Division no topo das paradas britânicas.

NOVA ORDEM

Mesmo sem Curtis, os remanescentes Hook, Morris e Albrecht (agora Bernard Sumner) decidiram dar continuidade à revolução sonora iniciada em Manchester. Eles fundaram New Order: uma das mais influentes e reverenciadas bandas dos anos 1980. Suas batidas eletrônicas já venderam mais de 20 milhões de discos. Hit do grupo, Bizarre Love Triangle tornou-se uma das mais importantes canções daquela década.

New Order regravou Ceremony, faixa tocada por Joy Division e cantada por Curtis. Nessa nova etapa de composições, gravações e apresentações, as vozes tiveram de ser assumidas por Sumner. Ao grupo, foi também incorporado um novo tecladista, Gillian Gilbert, sinal da devoção absoluta aos elementos eletrônicos. Ceremony foi executada recentemente, em performance na cidade de Glasgow, na Escócia. Para felicidade dos fãs, a banda inglesa ainda segue em atividade.

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