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Literatura máscula

Conteudo Isobar

Bernard Cornwell é o autor britânico à frente da chamada tough lit, a literatura crua e direta, adorada por muitos homens.

Direta ao ponto, sem rodeios ou desenvolvimentos prolixos de sentimentos dos personagens. A tough lit é um gênero literário marcado por tramas cujo protagonista é aquele cara que resolve tudo sozinho e, geralmente, no punho, espada, briga de facas ou arma de fogo, dependendo da época ou do estilo do sujeito.

Esse tough guy (termo que, aliás, gerou o nome do estilo) pode estar encarnado em um James Bond, de Ian Fleming, ou um Jason Bourne, de Robert Ludlum, mas entre os maiores representantes desse movimento estão Derfel Cadarn e Richard Sharpe, ambos nascidos da mente criativa do britânico Bernard Cornwell.

Cadarn é o narrador das “Crônicas de Artur”, uma trilogia baseada na lenda do homem que livrou a espada Excalibur da pedra e sagrou-se rei. Já Sharpe é o protagonista da série de 21 romances e três contos conhecida como “As Aventuras de Sharpe”, que se passa durante as guerras Napoleônicas.

Com uma história pessoal bastante característica, Cornwell nasceu em Londres, mas foi criado em Essex por pais adotivos, que faziam parte de um grupo religioso conhecido como Peculiar People (segundo o autor, eles eram literalmente “peculiares”). Acabou fugindo de volta para sua cidade natal, onde trabalhou na BBC por 10 anos. Foi ao se casar com a americana Judy e se mudar para os Estados Unidos que ele decidiu se tornar um escritor – afinal, o governo não lhe concedeu o visto de trabalho no país e ele teve que se virar. Digamos que fez um ótimo trabalho.

Não é difícil de entender porque Cornwell teve suas mais de 40 obras traduzidas em diversos idiomas e milhões de exemplares vendidos por todo o mundo. Seu texto, escrito em uma linguagem direta e bastante intensa, tem fluidez e é bem detalhado sem ser prolixo. O autor se baseia em fatos históricos para dar autenticidade à narrativa e suas descrições combinam com a realidade crua e fria de cada época e situação que retrata.

Conflitos psicológicos passam longe da história. O que o leitor vai encontrar é muita ação, um pouco de política e  nada de romance água-com-açúcar. Modéstia também não tem muita vez por aqui: o tough guy sabe o quanto é bom e não duvida por um instante de sua capacidade de dar uma boa lição em quem merece. Sem contar uma lista extensa de personagens, a la George R. R. Martin, autor do polêmico “Game of Thrones”.

Se você ainda não teve a oportunidade de ler Cornwell, a dica é começar com a obra-prima do autor, a trilogia das Crônicas de Artur, que começa com o título “O Rei do Inverno”. Daí em diante, já avisamos: vai ser difícil parar. Boa leitura!

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