Lygia Fagundes Telles | Crédito: Divulgação - UBE

Literatura de mulher

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Lygia Fagundes Telles, indicada ao Nobel, é uma das grandes representantes do prestígio das mulheres no mundo da Literatura

“Me leia enquanto estou quente”, disse Lygia Fagundes Telles. E chegando aos 93 anos de idade, a escritora não poderia estar mais quente. Lygia é uma mulher exemplar, dessas que rompeu barreiras profissionais e acadêmicas em um período em que o “lugar da mulher” era dentro de casa, e conquistou um espaço de destaque na literatura brasileira e mundial.

Ela, inclusive, já havia alcançado um lugar muito importante. Foi uma das primeiras mulheres a obter o diploma de Direito do Largo São Francisco, ao lado de outra grande escritora brasileira, Hilda Hilst, e hoje é a primeira escritora brasileira a ser indicada ao Prêmio Nobel de Literatura. Um passo muito grande para a valorização da mulher na esfera das Artes.

A indicação é mais do que merecida. Autora de clássicos como “Ciranda de Pedra” – que ganhou duas versões para telenovela – e “As Meninas”, Lygia foi precursora de uma nova literatura que lhe rendeu o Prêmio Camões, o mais importante para a literatura em língua portuguesa.

Lygia nasceu em 19 de abril de 1923, em São Paulo. Aos 15 anos de idade, publicou o seu primeiro livro, “Porão e sobrado”, após a separação de seus pais, e é nesse momento que sua vida na literatura se inicia. Hoje, Lygia tem mais de 24 livros publicados, entre romances e contos, como o “Antes do Baile Verde”, que lhe rendeu o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França.

Em entrevista para Clarice Lispector, em 1977, presente no livro “Clarice Lispector: Entrevistas”, Lygia conta um pouco sobre o seu processo criativo. “Lembro que algumas ideias podem nascer de uma simples imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. A ideia do enredo pode ainda se originar num sonho, tentativa vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode ser esclarecido no ato da criação. A gente exagera, inventa uma transparência que não existe porque – no fundo sabemos disso perfeitamente – é tudo sombra. Mistério.”

Com essa indicação, Lygia tem a oportunidade de ser a primeira a trazer um Nobel de Literatura ao Brasil, que já teve, entre seus indicados, nomes como Jorge Amado, Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto. A premiação acontece em outubro deste ano, em Estocolmo.

Ficamos na torcida para que a escritora seja, mais uma vez, dona de uma conquista para as mulheres e para toda a sociedade.

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