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Lendas da Jet Society

Conteudo Isobar

Paixões e sofisticação entre figuras míticas da alta sociedade mundial são narrados em livro referencial.

Houve um tempo em que Aristóteles Onassis era considerado o homem mais rico do mundo, mesmo que não fosse. O que havia naquela distinta figura grega a ponto de elevá-la ao Olimpo do mundo, atraindo o encantamento da high society como abelhas que se dirigem, fascinadas, ao mel?

O casamento com Jackeline Kennedy poderia ser uma resposta imediata – mas a realidade vai muito além disso. É no livro “Swans – The Legends of Jet Society” (editora Assouline) que histórias de elegância, glamour e sofisticação de uma era antológica são contadas em uma narrativa leve e perspicaz, conduzida pelo experiente editor e historiador britânico Nicholas Foulkes (que chegou a trabalhar no segmento de luxo para a revista “GQ” no Reino Unido).

A boa notícia para brasileiros é que, recentemente, o livro escrito em língua inglesa foi colocado à disposição para compra no país – a Assouline, cujo foco é voltado ao mercado deluxe, abriu sua primeira shop in shop há algumas semanas dentro da NK Store, em São Paulo. Se você não é da cidade, também é possível comprar virtualmente logo aqui.

Recheado de uma profícua pesquisa de imagens, o livro traz a conjugação do jet set ou jet society: paraísos idílicos, iates opulentos, destinos globais exóticos, festas em palácios, haute couture e joias reluzentesÉ a era de ouro do consumo além das massas: um mundo de bom gosto, alta cultura, elegância e beleza, acessível para algumas centenas.

Vale notar que estamos falando de uma época em que a tecnologia era tema de ficção científica e o acesso a destinos internacionais era algo fundamentalmente exótico e praticamente inacessível, ou permissível para seletos – daí o termo jet, ou jato, agregado a esse grupo, a essa sociedade – ou a chamada jet society.

No prefácio do livro – obtido com exclusividade pela Revista Estilo BB – Foulkes detalha um pouco do fenômeno que começa nos anos 1950: “um mundo que era como uma sociedade secreta, com um clube de membros de talvez algumas centenas de pessoas unidas por segredos compartilhados, uma sociedade que conversava em códigos e falava sobre cada um dos outros pelos primeiros nomes e que miraculosamente sabia sobre quem estava sendo conversado”, descreve.

John Bowes-Lyon, diretor da Sotheby’s – a casa de leilões de arte mais reputada do planeta – e um dos entrevistados para o livro, prossegue na explicação: “[a jet society] era composta de um pequeno grupo de pessoas que se viam, jantavam juntas e ficavam em companhia todo o tempo”.

Em meio a isso, romances cheios de glamour e aventura: páginas caudalosas narrando seus detalhes, entre affairs, relacionamentos insanos e casamentos gloriosos.

Além do espaço amplamente dedicado a Onassis e Jackie O., o casamento da princesa Grace Kelly e do príncipe Rainier 3º é narrado com a sutileza de detalhes e interesses que mostram a pequenina Mônaco projetada como um destino do rico jet-set internacional.

Há muito mais histórias e protagonistas nesse luxuoso universo que valem a atenção, como o rico barão e industrial Hans Heinrich “Heini” Thyssen-Bornemisza, que deixou a família e filhos no bucólico interior suíço para viver um tórrido romance (que, mais tarde, se transformou em um volátil casamento) com a modelo Nina Dyer, morando, durante um ano, na suíte do Hotel Queen Elizabeth, em Paris, com seis cachorros e duas… panteras selvagens. Décadas depois, Heini, cujo avô foi mecenas de ninguém menos do que o escultor Auguste Rodin no século 19, se casaria com uma socialite brasileira e ganharia a reputação de ser o colecionador do acervo privado de arte mais precioso do planeta.

Além de levar uma vida de refinamento puro e intangível para boa parte da humanidade, o que diferenciava a jet society? Comprar em um país, comer em outro, esquiar aqui um dia e ter um momento de veraneio acolá alguns dias depois. “Eles sabiam, por um misterioso sexto sentido, onde todos iriam em certas épocas do ano”, resume Foulkes.

Mas não só. Outro consultado pelo jornalista foi o estilista Oscar de La Renta que, por sua vez, palpita: “Acho que havia muito mais senso de estilo do que há agora ao se gastar dinheiro. Quando você pensa quem são as novas pessoas ricas hoje, é um grupo diferente”. Mais à frente, ele apregoa a liturgia do luxo que todos devem seguir. “Estilo é uma questão de disciplina; é algo com o qual você não nasce”, sacramenta. Com quem entende não se discute.

(Na foto que abre a reportagem, Igor “Ghighi” Cassini, colunista social que cunhou o termo jet set, dança twist no hotel Plaza, na Nova York de 1961 | Crédito: Bert Morgan/Getty Images/Divulgação)

 

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