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Idílio carioca

Conteudo Isobar

Conheça um pouco do florido Aterro do Flamengo, cuja história foi retratada em filme patrocinado pelo Banco do Brasil.

Que o Rio de Janeiro é um prato cheio para quem curte flores e muito verde não é novidade. É lá, afinal, que ficam o Jardim Botânico e a Floresta da Tijuca, a maior em área urbana do mundo. Mas outro lugar é especial para apreciar essas maravilhas da natureza: o Aterro do Flamengo, parque de 1,2 milhão de m², geralmente florido em várias estações do ano.

As paisagens encantam e impulsionam a visitação ao local, tanto dos cariocas quanto dos turistas – a vista, afinal, é emoldurada por um dos cartões-postais da capital fluminense: o Pão de Açúcar.

Prestes a completar 50 anos de existência, o Aterro do Flamengo tem uma história bastante peculiar. Pouco antes de 1965, era uma área cobiçada por construtoras – a ideia era construir uma avenida ladeada de prédios –, mas, graças à iniciativa de uma mulher, tornou-se um complexo de natureza e de lazer que abriga redutos importantes da cidade (o Museu de Arte Moderna e a Marina da Glória são apenas alguns deles). Quem era essa mulher? Maria Carlota Costallat de Macedo Soares. Ou Lota, para os mais íntimos.

Muita gente não fazia ideia de quem era ela ou da sua significância para o Aterro do Flamengo até o lançamento do filme “Flores Raras” no ano passado. O longa baseado em fatos reais, que foi patrocinado pelo Banco do Brasil, conta a história de Lota, uma mulher de vanguarda para a sua época e a grande articuladora do espaço localizado entre o aeroporto Santos Dumont e a Praia do Botafogo.

O filme tem caráter biográfico e foca no triângulo amoroso vivido pela arquiteta e paisagista com duas mulheres: a poetisa Elizabeth Bishop e a bailarina Mary Morse, ambas americanas. De família abastada, bem-educada e viajada, Lota era amiga do então governador Carlos Lacerda, com o qual se uniu para capitanear a construção do Aterro do Flamengo, rodeada por um time formado por nada menos que Roberto Burle-Marx, Affonso Eduardo Reidy e Jorge Machado Moreira. Um tremendo legado para a arquitetura e paisagismo não apenas do Rio, mas do Brasil.

Muitas das espécies vegetais presentes no Aterro foram importadas por Burle-Marx exclusivamente para adornar o espaço. Caso da abricó-de-macaco (Coroupita Guianensis) que, segundo Mariana Várzea, autora do livro “Árvore Cidade”, é uma espécie das Guianas com forte apelo ornamental, já que as flores saem diretamente do tronco.

De longe, você pode até pensar que a Chichá (Sterculia foetida) é uma árvore de flores vermelhas. Mas, na realidade, são frutos enormes e chamativos – não chegue muito perto porque, como o próprio nome científico diz, é uma árvore com cheiro desagradável. Outra árvore que pode causar essa impressão é a paineira (Paineira Chorisia speciosa) – amplamente usada pelo maior paisagista brasileiro nos seus projetos – já que seus frutos abertos assemelham-se a um algodão branco.

Outras flores comuns por lá são a Bombax (Bombax ceiba) e a Pata-de-vaca (Bauhinia variegata). E é agora, durante a Primavera, que os ipês – rosas e roxos – começam a florescer. Nada melhor do que apreciar a maravilhosa paisagem em uma boa caminhada.

(Na foto que abre a reportagem, o Aterro do Flamengo visto do Pão de Açúcar; crédito: Shutterstock)

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