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Genialidade brasileira

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Um dos grandes nomes da nova MPB, Hamilton de Holanda reinventou o bandolim mundial e ganhou o apelido de “Jimmy Hendrix do bandolim” pela imprensa norte-americana. Com 35 anos de carreira profissional, o músico começou a tocar com apenas 5 anos de idade.

Nascido no Rio de Janeiro, Hamilton de Holanda está em contato com a música desde muito pequeno: é filho, irmão, neto e sobrinho de músicos e cresceu com a casa cercada de inúmeros tipos de instrumentos. Aos 11 meses de idade, sua família se mudou para Brasília, o que permitiu que Holanda convivesse com pessoas de todo o País.

Esse contato com diversas culturas despertou no instrumentista o desejo de reverenciar a cultura popular brasileira. Mas isso não significou que o músico pretendeu ou pretenda se encaixar em um gênero musical específico – se é Jazz, Samba, Rock, Choro ou Lundo, para ele não importa.

Inovador, Hamilton de Holanda adicionou duas cordas extras no bandolim, que tradicionalmente é produzido com oito, e revolucionou o instrumento, trazendo novas possibilidades a esse som tipicamente brasileiro. A ideia de deixar o bandolim com dez cordas surgiu para que Holanda pudesse expressar ideias polifônicas, pois o instrumentista achava que as oito cordas limitavam as possibilidades.

“Perguntam-me se o que faço é o novo Choro. Novo Choro? Não entendo, deve ser talvez porque toco bandolim. O Choro é que nem a Monalisa. Você acha que ela precisa de retoques? Não! O Choro também é assim, está eternizado pela arte maravilhosa de músicos como Luperce, Jacob e Pixinguinha”, afirma.

“Perpetuada a tradição, não se precisa de mais nada, apenas apreciar. O que eu faço, na verdade, é uma síntese dessas informações com influência do Choro, Bossa, Jazz, Rock, som do cotidiano… É uma música que não precisa de rótulos para existir, mas precisa, sim, ser bela”, completa Hamilton. E é graças a esse respeito que tem pela música, aliado ao seu talento, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Instrumentista do Icatu Hartford das Artes, em 2001.

Reconhecido mundialmente por suas habilidades musicais, o músico também é admirado por outros grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Djavan e João Bosco. Indicado 11 vezes ao Latin Grammy, Hamilton é um músico que vai do erudito ao popular com muita facilidade, já tendo composto até mesmo a Sinfonia Monumental para celebrar os 50 anos de Brasília.

Essa versatilidade do artista fica evidente em sua facilidade de se apresentar em diversas formações, desde solo, duo, power trio e até com quintetos ou orquestras, o que possibilitou a Hamilton dividir palco com Seu Jorge, Ivan Lins, John Paul Jones, multi-instrumentista da banda britânica Led Zepellin, e ainda participar da gravação de CDs de Zélia Duncan, Djavan, Diogo Nogueira e muitos outros.

Para conhecer de perto os ritmos de Hamilton de Holanda, o Baile do Almeidinha, no Circo Voador, Rio de Janeiro, talvez seja a melhor forma de entrar em contato com todo o potencial artístico e musical do músico. Um projeto extremamente carioca, Holanda se uniu a Guto Wirtti, no baixo, Edu Neves, na flauta e saxofone, Rafael dos Anjos, com o violão, Xande Figueiredo, na bateria, Marcelo Caldi no acordeon, o Aquiles no trompete e Thiago da Serrinha, na percussão.

Juntos, eles improvisam ritmos brasileiros para que o público possa sempre dançar e cantar com o grupo. Hoje, depois de três anos do projeto, o Baile ganhou um disco físico, que foi lançado em 26 de junho do ano passado. As próximas apresentações do grupo ocorrem dias 11 e 25 de fevereiro, permitindo que o Carnaval dure um pouco mais.

 

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