Elza Soares se reiventa outra vez e se une a vanguarda paulista para o lançamento de um álbum repleto de ousadia | Crédito: Stephane Munnier

Dura na queda

Conteudo Isobar

Dona de uma vitalidade indomável, Elza Soares lança álbum que promete ser um dos grandes marcos da música nacional

Toda vez que o samba mandou chamar, ela veio. Elza é conhecida não só por ser a Rainha do Samba, mas sim pela sua capacidade de se reinventar e fazer boa música – sem medo de ousar e experimentar a artista sempre saiu de sua zona de conforto e passeou de forma notável por estilos musicais diversos, até chegar em 2015 no recém lançado e já aclamado álbum “Mulher do Fim do Mundo”, em parceria com artistas da vanguarda paulistana Kiko Dinucci (guitarra), Marcelo Cabral (baixo), Rodrigo Campos (guitarra), Felipe Roseno (percussão), Celso Sim (direção artística) e Rômulo Fróes (direção artística).

Nascimento de uma estrela

Em 1953, Elza Conceição Soares subiu ao palco do programa de Ary Barroso, na Rádio Tupi, com seus 50 kg, roupas remendadas com alfinete e uma sandália emprestada de sua mãe. “De onde você vem?”, ele perguntou, em tom de gozação. E ela respondeu: “Do planeta fome”. Assim que Elza começou a cantar os versos de Lama, “se eu quiser fumar, eu fumo, se eu quiser beber, eu bebo”, escritos por Aylce Chaves e Paulo Marques, Ary se encantou com o timbre e a força daquela voz rouca cheia de distorções únicas. Ao final da apresentação, abraçou Elza e bradou: “senhoras e senhores, nasce uma estrela”.

Cantando pra não enlouquecer

A história da menina pobre que virou estrela da música popular brasileira ficou marcada por dificuldades e chutes nas portas para conquistar respeito. Elza passou fome na infância, perdeu maridos, filhos, amargurou a falta de dinheiro, ficou quase dez anos sem gravar e sofreu com o julgamento da sociedade por se relacionar com Mané Garrincha.

Já em termos vocais, também não há nada de sutil sobre Elza Soares . Ela tem uma grande voz texturizada, que encantou até o grande Louis Armstrong, em uma turnê realizada na América do Sul.

A mulher de sempre

O encontro do suingue carioca com a vanguarda paulista deu o fruto o álbum “Mulher do Fim do Mundo” . O projeto é o 34º disco de uma carreira que já ultrapassa a marca de seis décadas.

Com canções inéditas, confeccionadas sob medida para a voz de Elza, o disco traz onze faixas que transitam pelo samba, rock, rap e eletrônico, em arranjos sobrepostos por timbres arrojados, ruídos, distorções e dissonâncias.

Elza mostrou mais uma vez que o trono é dela e continua rasgando a garganta em canções poderosas.

Mais Matérias