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Parque Indígena do Xingu, uma das mais famosas reservas indígenas do mundo

Com área de mais de 27 mil km², o Parque Indígena do Xingu, situado ao norte do Mato Grosso, foi a primeira terra indígena homologada pelo Governo Federal.
Criado em 1961 pelo presidente brasileiro Jânio Quadros, reúne aproximadamente 5.500 índios de mais de uma dezena de etnias, pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê.

A área é resultado de anos de trabalho e luta política. Seus idealizadores principais são os irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas-Bôas – indigenistas que deram continuidade às ideias humanistas defendidas por Marechal Rondon, com quem começaram a trabalhar em 1945, na expedição Roncador-Xingu – e o antropólogo Darcy Ribeiro; esse último, autor do projeto, que à época trabalhava como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio.

Ao longo da sua existência, o Parque passou por uma série de mudanças associadas à questão indígena no Brasil. No início, os irmãos Villas-Bôas tinham a filosofia de proteger os índios da cultura dos grandes centros urbanos. Por exemplo, à época não era permitido usar chinelos nem andar de bicicleta, com o objetivo de manter intacto o cotidiano das tribos.

Ao longo dos anos 1970, a situação começou a mudar. Já era recorrente a invasão de pescadores, garimpeiros e fazendeiros na área do Parque, porém, foi nessa época que começaram a ocorrer mais invasões predatórias. Informações do Instituto Socio-Ambiental – o ISA – apontam que no final dos anos 1990, as queimadas em fazendas pecuárias ameaçavam atingir a região nordeste do Xingu, enquanto a oeste, as madeireiras avançavam e chegavam cada vez mais perto dos limites da demarcação física inicialmente proposta.

Tais fatos, de acordo com o ISA, fortaleceram entre os moradores da região “a percepção de que está a caminho um incômodo ‘abraço’: o Parque vem sendo cercado pelo processo de ocupação de seu entorno e já se evidencia como uma ‘ilha’ de florestas em meio ao pasto e a monocultura”.

Hoje são outras as ameaças ao estilo de vida e à sobrevivência das comunidades do Xingu, como os grandes projetos de infraestrutura da região, o que inclui, principalmente, as obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída na bacia do rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no norte do Pará.

* Legenda e crédito da foto de abertura:  Aldeia Ipatse,  principal comunidade dos Kuikuro / Wikipedia Commons / Pedro Biondi/AB

 

 

 

 

 

 

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