Exposição "Terra Comunal - Marina Abramović", em cartaz no Sesc Pompéia, de 11 de março a 10 de maio | Crédito: Christian Cravo

Dama da performance

Conteudo Isobar

Conheça a exposição que contemplou o trabalho de Marina Abramović, uma das principais artistas performáticas do mundo.

Por dois meses, a exposição “Terra Comunal – Marina Abramović + MAI” esteve em cartaz em São Paulo e promoveu uma intensa experiência ao público, com uma mostra que foi considerada uma das maiores retrospectivas da artista sérvia Marina Abramović já realizada na América do Sul.

A exposição dividiu-se em duas partes. A primeira, intitulada “Terra Comunal – Marina Abramović”, trouxe três instalações: “The House with the Ocean View” (A Casa com Vista para o Mar), “The Artist is Present” (A Artista está Presente) e “512 Hours” (512 Horas). Essa mesma seção reuniu também uma seleção de vídeos de performances históricas da artista criados entre 1974 e 2010.

A segunda, que recebeu o nome de “Terra Comunal – MAI”, permitiu que o público tivesse contato e experimentasse o Método Abramović, praticando atividades de imersão que exploram as fronteiras da arte imaterial – conceito que permeia o universo criador da artista.

Quem teve a oportunidade de participar do Método, passou duas horas fazendo exercícios dos mais diversos – alguns incluíam contato com cristais, por exemplo – com o objetivo de aguçar a sensibilidade, conectar-se com o seu próprio eu e escutar o silêncio (atividades que podem se tornar um grande desafio nas grandes cidades).

Arte sem objeto

A performance é o fio condutor do trabalho de Marina desde quando ela começou sua carreira, em meados dos anos 1970. Explorar os limites do corpo, observar e praticar exercícios mentais são alguns dos recursos culturais que estiveram sempre presentes em suas obras.

Um dos exemplos disso é a “The Artist Is Present”, performance exibida na mostra do Sesc Pompéia por meio de videoinstalações. Nela, Marina ficou durante três meses no MoMA de Nova Iorque, sentada em uma cadeira, disposta a receber qualquer um que passasse por ali, para sentar à sua frente e ficar cara a cara com a artista.

Talvez o caráter impalpável de seu trabalho incomode muitas pessoas ou até mesmo dificulte o seu entendimento. Afinal, diferentemente de contemplar uma tela – e contrariamente a essa ideia – o público pode (e deve) atuar e se tornar o corpo principal do trabalho. “Eu apenas crio as situações e forneço as ferramentas para que os visitantes façam a performance. Isso porque percebi que o que importa são as nossas próprias vivências. Portanto, olhar para as minhas experiências não afeta a vida de ninguém”, comentou a artista em recente entrevista.

A arte de Marina, embora impalpável, se imortaliza em cada um que se permitiu passar pela experiência proposta pela artista – e talvez aí resida sua genialidade.

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