Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, sob o pseudônimo de Cora Coralina, publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade | Crédito: Divulgação

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A poetisa e contista goiana Cora Coralina publicou seu primeiro livro aos 76 anos e conquistou fãs em todo o Brasil

Um dos grandes nomes da literatura feminina nacional, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu no final do século XIX na Cidade de Goiás. Já aos 14 anos publica seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, sob o pseudônimo de Cora Coralina, para fugir das repressões familiares que não apoiam sua veia literária.

A coragem de suas poesias são um reflexo da sua coragem pessoal. Aos 22 anos, Cora foge para o interior de São Paulo, se casou e teve seis filhos, o que deixou a escritora longe de Goiás por 45 anos. Manteve-se próxima à literatura trabalhando como vendedora de livros na editora José Olympio. Porém, com a morte do marido, Cora decide voltar para sua cidade natal, e assume outra profissão que irá marcar sua vida: doceira.

E foi entre panelas e quitutes que os versos de sua poesia ressurgiram, dando origem ao primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais”, publicado pela José Olympio em 1965. O memorialismo autobiográfico da prosa e poesia de Cora, já uma senhora de 76 anos, chamou a atenção de Carlos Drummond de Andrade, um dos principais responsáveis por difundir a obra da contista de apresentá-la ao público.

A primeira obra evidenciava as raízes de Cora na alma popular. Sua sabedoria foi decisiva para dosar a quantidade ideal de ironia e expressão suave em uma linguagem marcada pela simplicidade e alto poder de comunicação.

Mesmo tendo estudado apenas o equivalente ao 2º ano do Ensino Fundamental, Aninha, como também era chamada, tornou-se uma das principais poetas do modernismo brasileiro, chegando inclusive a receber o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Os prêmios e títulos vieram apenas para consagrar aquilo que sua obra sempre mostrou: uma mulher forte e libertária, cuja história de vida respalda seus contos e sua poesia. Hoje, Cora é vista por muitos estudiosos como uma mulher muito à frente de seu tempo, uma “feminista de vanguarda”.

Contista, poetisa e doceira, Cora Coralina faleceu em 1985, aos 95 anos, em sua cidade natal. A casa da Ponte do Rio Vermelho, onde nasceu e viveu os últimos anos de sua vida, hoje é o Museu de Cora Coralina, também conhecido como Casa Velha da Ponte, e mantém vários de seus manuscritos, objetos pessoais e correspondências trocadas com Drummond, com visitações aberta ao público.

Mesmo após 30 anos do falecimento de Cora, sua obra continua viva e adocicando a vida de todos aqueles que a leem.

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