Helder Ferrer 3

Cerâmica e arte

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Francisco Brennand, maior ceramista brasileiro, ocupou os 15 mil metros quadrados da antiga fábrica de cerâmica da família com suas esculturas e pinturas.

Perto de chegar aos noventa anos, o pernambucano Francisco Brennand é considerado um dos maiores escultores brasileiros. O artista, que possui obras espalhadas por todo o mundo, ainda continua na ativa, trabalhando em seu ateliê aberto ao público.

A Oficina Brennand surgiu em 1971 onde ficava a antiga fábrica de tijolos e telhas que Francisco herdou de seu pai. As ruínas da Cerâmica São João da Várzea hoje abriga um enorme conjunto arquitetônico que se tornou uma das fontes inspiradores do artista pernambucano.

O local é o museu-ateliê do ceramista, que tomou para si o projeto de reforma do espaço, recriando de uma maneira original elementos da arquitetura de época. Esse trabalho estende-se até os dias de hoje e, por vezes, o próprio artista agracia os turistas com sua presença pelos corredores e também pelos jardins projetados por Burle Marx.

Sua Oficina Cerâmica exibe mais de duas mil obras, mas Francisco prefere dizer que são 1.001 obras, como as lendas de Sherazade. Sua coleção pictórica chega a mais de 1.500 peças entre desenhos e pinturas.

Francisco começou a se interessar por desenho e modelagem ao acompanhar o trabalho do escultor Abelardo da Hora. Em 1945, conheceu o pintor e restaurador Álvaro Amorim que foi um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pernambuco, contratado pelo seu pai para restaurar algumas obras da coleção João Peretti adquiridas por ele. Amorim, começou, então, a orientá-lo em pintura.

Um ano depois, criou sua primeira escultura: uma cabeça em barro, de Deborah, com quem viria a se casar. Nos anos seguintes, estudou pintura e cerâmica na Europa, onde experimentou com pigmentos e queimas. Em 1959, participou da V Bienal de São Paulo no MAM com três telas.

Seu primeiro mural em cerâmica em espaço público, “Pastoral”, com 49 metros quadrados, realizado para o Aeroporto dos Guararapes, em Recife, em 1958. Três anos depois, iniciou o mural da Batalha dos Guararapes ─ um dos maiores e mais importantes de sua carreira.

O artista possui cerca de 80 obras entre murais, painéis esculturas ostentadas em ruas e prédios públicos da cidade do Recife, do Brasil e do mundo, como o “Mural da Moeda”, para o Banco Mineiro da Produção, na capital pernambucana, o mural cerâmico na sede da Bacardi em Miami, com 656 metros quadrados e mais de 28 mil azulejos, e o projeto “Eu vi o mundo… Ele começava em Recife”, em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

O museu funciona de segunda a quinta, da 8 às 17h, sexta, das 8 às 16h, sábado e domingo, das 10 às 16h. O ingresso custa R$30, com meia entrada para estudantes.

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