Entre as obras mais importantes do escritor russo, destacam-se "Os Irmãos Karamazov" e "Crime e Castigo" (domínio público)

Brilhantismo romancista

Conteudo Isobar

Escritor russo Dostoiévski revolucionou a literatura

Talvez seja o caso de se dizer que foi pura sorte da literatura que Dostoiévski tenha escapado da pena de morte. Preso em 1849 por integrar supostas reuniões subversivas com líderes revolucionários, o escritor russo conseguiu, no apagar das luzes, que a decisão capital fosse transformada em punição bem mais branda.

Jornalista e filósofo, Fiódor Mikhalovich Dostoiévski nasceu na capital da Rússia, Moscou, em 1821. Ele é tido como um dos maiores romancistas de todos os tempos, além de fundador do Realismo, movimento artístico que apareceu, na Europa, durante as últimas décadas do século 19.

A genialidade do escritor russo está registrada nas considerações de Sigmund Freud, o “pai da Psicanálise”, para quem Os Irmãos Karamazov, último romance assinado por Dostoiévski, é o grande título entre todos do gênero literário. A verdade é que a mente do romancista inspirou Freud até em suas publicações.

A trajetória de Fiódor Dostoiévski na literatura começou aos 23 anos: uma tradução da obra Eugénie Grandet, o primeiro grande romance do ilustre escritor francês Honoré de Balzac. Pelo trabalho, recebeu 300 rublos e quitou uma dívida com um agiota. No ano seguinte, concluiria Pobre Gente, que fora bem recebido pela crítica.

Depois de conseguir livrar-se da pena de morte, Dostoiévski passou nove anos na Sibéria e outros quatro preso na província russa de Omsk. O tempo de penúria no cárcere rendeu-lhe as obras Recordações da Casa dos Mortos e Memórias do Subsolo.

O GÊNIO

A consolidação definitiva do nome do escritor russo como um dos artistas mais inovadores da humanidade só viria, no entanto, após 1860, quando foram publicados Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamazov.

Em grande parte, a obra do romancista analisa estados mentais patológicos que levam indivíduos ao suicídio, ao homicídio, ao autoflagelo e à loucura. Não à toa, ela influenciou diretamente o modernismo literário, a psicologia e, até mesmo, a teologia.

A vitalidade do trabalho de Dostoiévski está associada à capacidade dele de hipnotizar o leitor. Descrições de cenas dramáticas, com personagens escandalosos, retratam ambientes explosivos. Em outros momentos, exploram-se diálogos filosóficos profundos, a busca pela espiritualidade e a angústia em relação ao sofrimento dos inocentes.

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