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Asas da liberdade

Conteudo Isobar

Autora de best-sellers lança novo livro no Brasil sobre liberdade e emancipação feminina.

Questões raciais e a profunda dívida social que os brancos têm com o povo negro são motivo de discussão constante e recente – vide o ótimo filme “12 Anos de Escravidão”, ganhador do Oscar de Melhor Filme, e que trouxe a vida antes da Abolição americana sem qualquer tipo de romantismo.

Agora, é um romance estrelado que ganha o seu lugar na prateleira das livrarias: “A Invenção das Asas”, da badalada Sue Monk Kidd (cuja foto ilustra a abertura desta reportagem), que envereda sobre os temas de escravidão, liberdade e feminismo – e de como esses conceitos se constroem.

Seu primeiro livro, “A Vida Secreta das Abelhas”, ficou mais de cem semanas na lista de best-sellers do jornal “The New York Times”. Para “Invenção das Asas” (Companhia das Letras), Monk Kidd teve a bênção de outro ícone da comunicação americana: Oprah Winfrey, que alçou a publicação ao seu clube do livro 2.0, cuja curadoria é feita pela própria apresentadora de TV mais famosa dos Estados Unidos.

Não é a primeira vez que a autora envereda pelo tema do preconceito étnico no país, já que o primeiro livro versa sobre conflitos raciais na Carolina do Sul em 1960. Em “A Invenção das Asas”, no entanto, a trama se passa na sociedade escravocrata do começo do século 19. Sarah Grimké faz parte da elite da Carolina do Sul e, desde pequena, se demonstra uma menina “diferente” – quer acabar com a escravidão e entrar no mercado de trabalho, dois fatores inconcebíveis à época.

Ao completar o aniversário de 11 anos, ela ganha um presente: uma escrava chamada Hetty “Encrenca”, de idade similar. Já demonstrando repulsa pela escravidão, Sarah faz o que era proibido: ensina a outra menina a ler.

Deliciosamente, a trama se desenrola pelos anos seguintes das duas, que chegam a se separar – suas histórias, porém, são contadas paralelamente.  A grande mensagem aqui é a liberdade e emancipação feminina, cada qual traçada à sua maneira, em linguagem leve e sem o tom complexo que algumas obras literárias com esse tema carregam.

O melhor de tudo é que as duas personagens existiram, de fato – muitas das coisas narradas, no entanto, são ficcionais. Junto com a irmã Angelina, Sarah Grimké foi uma abolicionista ferrenha. Chegou a defender a igualdade racial, ideia avançada até mesmo para os abolicionistas da época, e muito escreveu sobre emancipação feminina, pelo menos dez anos antes dos primeiros movimentos feministas eclodirem nos EUA com a reivindicação do direito a voto.

Mais detalhes sobre a parte real – que é contada no posfácio do livro – cabe ao leitor descobrir. É melhor dar asas à imaginação, porque, como diz Hetty “Encrenca” à Sarah Grimké em certo momento, “eu sou presa pelo corpo, mas você é presa pela mente”. Uma reflexão que, em algum momento na vida (ou em vários), vale a pena.

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