"Ultramarino", de Vicente de Mello, no CCBB Rio | Crédito: Vicente de Mello

Além-mar

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Instalação propõe que o observador seja “o outro lado do mar” por meio de projeções e lambe-lambe em tamanho real

Uma sala. Quatro paredes cobertas com um lambe-lambe gigante, que cobre toda a superfície ao longo do espaço com imagens que se repetem e oscilam do azul ao magenta, dando a ideia ao observador de estar em algum lugar além-mar. A repetição da imagem em todas as paredes cria uma grande trama e as folhas impressas se conectam na colagem.

Da maneira sucinta, assim pode ser descrita a exposição “Ultramarino”, de Vicente de Mello, em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, RJ, até 28 de setembro desse ano.

O terceiro de dez projetos selecionados pelo Prêmio CCBB Contemporâneo para a temporada 2015-2016, “Ultramarino” significa, em latim medieval, “além-mar”. Para o artista, a instalação – que leva um lambe-lambe da imagem “Átomo Jacaré”, de sua autoria, feita em silkscreen – se propõe a ser o outro lado do mar.

Perspectiva de farol

O visitante que se deparar com a obra verá, em um primeiro momento, uma sala em azul ultramarino. As paredes recebem projeção de luz LED branca, seguida por uma projeção de LED vermelha, que irá alterar o azul para um magenta vibrante, proveniente de uma única fonte, pendurada no teto.

Giratória, essa fonte de luz alcança toda a sala, e o efeito, de acordo com o artista, é exatamente o mesmo do giro de um farol náutico de longo alcance. Nesse caso, apenas o giro da fonte luminosa, com as duas saídas de luz branca e vermelha, dará o efeito isofásico dos faróis, que é a duração idêntica de luz e de breu.

Por conta da alternância ininterrupta de escuro total para azul e depois magenta, o espectador, segundo Vicente, fica na situação de alerta de um farol. A sombra do visitante é projetada na parede à sua frente e se distorce com o movimento da luz.

“Sequência para grandes espaços, a questão tátil e a peculiaridade temporal são a base para os meus projetos com o lambe-lambe: a obra se apresenta, envolve o espectador e depois desaparece por completo”, diz o artista.

Em suma: “Ultramarino” tem no uso da luz sua essência, bem como outros trabalhos do artista, como “Orquestra de Trombones” (exposta no MAC Niterói em 2010) e “Pli Selon Pli” (apresentada no projeto parede do MAM SP).

O artista

Vicente de Mello, que vive e trabalha no Rio de Janeiro, formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e especializou-se em História da Arte e Arquitetura no Brasil, pela PUC Rio. Já realizou inúmeras exposições individuais e coletivas e tem alguns livros publicados. O mais recente é Parallaxis [Cosac Naify], de 2014.

“Ultramarino” está aberta ao público até 28 de setembro de 2015, de quarta a segunda, das 9 às 21h. A entrada é gratuita.

Sobre o Prêmio CCBB Contemporâneo

Em 2014, pela primeira vez, o Banco do Brasil incluiu no edital anual do Centro Cultural Banco do Brasil um prêmio para as artes visuais. É o Prêmio CCBB Contemporâneo, patrocinado pela BB Seguridade, que contemplou 10 projetos de exposição, selecionados entre 1.823 inscritos de todo o País, para ocupar a Sala A do CCBB Rio de Janeiro.

O Prêmio é um desdobramento do projeto Sala A Contemporânea, que surgiu de um desejo da instituição em sedimentar a Sala A como um espaço para a arte contemporânea brasileira. Idealizado pelo CCBB em parceria com o produtor Mauro Saraiva, o projeto Sala A Contemporânea realizou 15 mostras individuais de artistas ascendentes de várias regiões do País entre 2010 e 2013.

A série de exposições inéditas, em dez individuais, começou com o grupo Chelpa Ferro (composto por Luiz Zerbini, Barrão e Sergio Mekler), seguido das mostras de Fernando Limberger (RS-SP), Vicente de Mello (SP-RJ), Jaime Lauriano (SP), Carla Chaim (SP), Ricardo Villa (SP), Flávia Bertinato (MG-SP), Alan Borges (MG), Ana Hupe (RJ), e Floriano Romano (RJ), que acontecem até julho de 2016.

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