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70 anos de bossa

Conteudo Isobar

Autor de obras-primas da música brasileira, Chico Buarque é homenageado em espetáculos e no cinema.

Neste ano, Francisco Buarque de Hollanda completa 50 anos de carreira e 70 de vida – esses últimos, celebrados em 16 de junho. Durante todo esse tempo, Chico Buarque nos presenteou com personagens imortais – quem não conhece Geni ou Pedro Pedreiro? – e hinos de amor – como não se encantar com “Eu te Amo”? -, além de dezenas de músicas que se tornaram obras atemporais da música brasileira.

Dono de uma mente brilhante, não limitou sua inventividade à música. Além de compor e cantar, o filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda também escreveu livros, peças, poemas e até atuou em filmes. E, para celebrar os setenta anos do homem que cantou o samba, o amor e o chorinho como ninguém, dezenas de artistas realizam, neste ano e no próximo, homenagens inspiradas em suas obras.

Ode a Chico

Em agosto, as cantoras Marina de La Riva e Roberta Sá apresentaram sucessos do compositor no Teatro Castro Alves, em Salvador, BA. Assim fez também o cantor Carlos Navas, em junho, no Memorial da América Latina, na capital paulista.

Peças como a “A Ópera do Malandro” – versão da Cia. da Revista, exibida no Centro Cultural do Banco do Brasil – e “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”, de Claudio Botelho e Charles Möeller, vangloriaram as criações cênicas do carioca. Até o final do ano, estreiam os espetáculos “Apesar de Você”, de Gustavo Paso, e “Calabar, O Elogio da Traição”, remontado por Ruy Guerra.

Um documentário previsto para o início de 2015 retrata o compositor a partir de músicas, textos e entrevistas – a direção é de Miguel Faria Jr., o mesmo do longa “Vinicius”.

E tem mais por vir. Desta vez, do próprio compositor, que continua criando. Trata-se do seu próximo romance – cujo assunto permanece em segredo -, previsto para ser lançado até o final de 2014 pela Companhia das Letras.

Hinos imortalizados

Chico Buarque tem mais de 500 obras cadastradas, 70 discos e 5 peças de teatro escritas entre os anos 1960 e 1980. Na literatura, publicou “Benjamim”, “Budapeste” e “Estorvo”; também escreveu os espetáculos “Ópera do Malandro” e “Roda Viva”; e filmes como “Quando o Carnaval Chegar”, do qual foi coautor.

As várias áreas de atuação e a quantidade de obras realizadas impressionam, mas nada dizem acerca da profundidade das criações. O compositor carioca abordou todos os temas essenciais – vida, amor, política, crítica social – de maneira densa e única, que torna qualquer explicação dispensável.

Basta ouvir letras como “Cálice”, “Apesar de Você” e “Roda Viva”, criadas durante os anos 1960 e 1970, e você terá uma enxurrada de metáforas, disparadas em duras críticas à ditadura. A crítica social nunca ficou de fora de seu repertório musical e tem em faixas como “Construção” e “Pedro Pedreiro” sagazes representantes.

O que falar, então, do amor? Temática recorrente em várias de suas músicas, ele é tratado com sutileza e poética ímpares em “Retrato em Branco e Preto”, “Futuros Amantes” e “Eu te Amo”.

Sua extensa lista de obras precisaria de muito mais linhas, porém, para adentrar no universo criativo de Chico Buarque – e entender onde reside sua genialidade -, há um só jeito: ouvir as suas músicas, ler os seus livros e peças e se deixar levar pelo balanço da poesia e da pura beleza sob a forma de música e palavra.

Crédito da foto de abertura: Divulgação / Bruno Veiga

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